Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 16/08/2020

O livro “O cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a cibercondria afeta a sociedade como um todo. Assim, devido ao fácil acesso às informações sobre doenças e sintomas e, por conta da facilidade na aquisição de medicamentos, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que um dos principais males da hipocondria na era digital é o acesso livre às informações referentes às doenças em geral. Isso porque essa liberdade contribui para o aumento do número de pessoas que decidem não procurar por ajuda de profissionais de saúde e optam por pesquisar na internet para tirar suas próprias conclusões sobre indícios de uma possível doença ou lesão. Esse fato acaba sendo prejudicial para esses indivíduos, em alguns casos, pois de acordo com o estudo da Edith Cowan University, da Austrália, os resultados dessas pesquisas são precisos somente em um terço das vezes. Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro de imprecisão.

Além disso, destaca-se que a obtenção de medicamentos sem a necessidade de receitas médicas intensificou ocorrência da cibercondria em meio a sociedade. Isso porque torna-se possível a compra de remédios a qualquer indivíduo e, por isso, muitos deles acabam por comprar fármacos de acordo com as próprias deduções, influenciadas por pesquisas na internet, acerca dos sintomas que estão sentindo. Esse fato se mostra na pesquisa realizada pelo Instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico (ICTQ), na qual a porcentagem de pessoas de 21 a 35 anos que tomam remédios por conta própria, sem prescrição médica, alcança 91%. Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro de acesso livre a medicamentos.

Portanto, torna-se evidente a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Ministério da Saúde promover a conscientização das pessoas acerca dos perigos da cibercondria. Essa ação deve ocorrer por meio de campanhas, palestras, fóruns e propagandas na mídia em geral, os quais retratem de maneira fidedigna, o cuidado que se deve ter com relação a  busca de conteúdos relacionados à saúde, com o intuito de reduzir os prejuízos causados pelo acesso à informações erradas sobre sintomas e doenças na internet. Só assim, o país tornar-se-á mais consciente e benigno.