Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 14/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercondria torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesse cenário— seja pelo fácil acesso a informações vindas da internet e seja pelo crescente número de pessoas praticando a automedicação— o problema permanece afetando silenciosamente grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

É relevante abordar, primeiramente, que a facilidade de acesso à informação pode ser extremamente maléfica quanto proveitosa. Posto isso, de acordo com pesquisa realizada pelo Google com base em buscas de internautas, embora 35% dos brasileiros vão diretamente ao médico quando se sentem mal, 26% preferem usar as consultas virtuais, ignorando o efeito desse recurso na saúde. Sendo assim, o raciocínio sem vínculo com a realidade pode se tornar uma alienação profunda ou até um transtorno cognitivo, visto que, o indivíduo que se autodiagnostica e acredita possuir uma doença grave desenvolve ou aflora o stress e a ansiedade.

Outrossim, o problema se intensifica quando a pessoa realiza a automedicação, que infelizmente é uma prática comum entre os seres humanos, que atualmente foi estendida também aos animais. Assim sendo, pode ocorrer à intoxicação devido ao uso incorreto de medicamentos, e o paciente também pode encobrir problemas que podem se agravar. Por outro lado, no que diz respeito aos antibióticos, deve-se prestar maior atenção ao fato de que o uso abusivo de tal remédio pode promover o aumento da resistência bacteriana e, assim, comprometer a eficácia dos tratamentos existentes.

Portanto, dado os fatores acima, é necessária intervenção com o objetivo de mistificar esses entraves da sociedade contemporânea. Desta forma, para que isso seja possível, o Ministério da Saúde deveria promover a fiscalização a respeito da ciberdoncria por meio de anúncios e reportagens publicitárias, incluindo esclarecimentos sobre o tema, para instruir e orientar a população sobre essa doença e, assim, estabelecer uma sociedade que busca serviços médicos em prol da saúde.