Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 18/08/2020

Em um do episódios da série norte-americana “Todo Mundo Odeia O Chris”, a personagem Tonya sente-se mal e seu pai, Julius, a medica sem nenhuma indicação médica e, querendo economizar com tratamentos caros, faz buscas de receitas caseiras para os sintomas na Internet. Fora da ficção, é de fato que a realidade apresentada pelo seriado pode se relacionar ao mundo tecnológico atual: gradativamente, as pessoas não se sentem bem e pesquisam no Google, por exemplo, o que poderia gerar tais sensações físicas, devido à má influência das mídias sociais e à falta de procura de informações profissionais seguras.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função da influência midiática, internautas estão cada vez mais procurando informações sobre quaisquer tipos de tratamentos nas plataformas digitais, preferindo não consultar especialistas, consequência de mecanismos filtradores de informações a partir do constante uso individual de redes socias. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, as redes sociais são muito úteis, mas são uma armadilha, já que grande parte dos resultados dessas análises online têm semelhança com o que o indivíduo sente, o fazendo achar que possui algo grave quando, na verdade, pode estar com uma simples virose.

Por conseguinte, presencia-se um forte problema na desinformação por parte da população ao se examinar via rede: ao acreditar naquilo que é encontrado em suas procuras, centram apenas no que lhes convêm, não pensando na possibilidade de que há outras enfermidades com os mesmos presságios. Com isso, acabam adotando o uso inadequado de remédios, tentando combater algo que não está presente em seus organismos, podendo ter agravações no quadro de saúde, pois, apenas por estarem suspeitando da portação de alguma moléstia, já têm no psicológico a ideia de prevenção contra tal, não buscando atendimentos médicos confiáveis, seguros e eficazes, tomando medicamentos desnecessários ou até mesmo errados por conta própria, no que tange à Cibercondria.

Portanto, é de suma importância que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para que a população se conscientize à respeito do problema, é improrrogável que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de montantes governamentais, palestras e campanhas publicitárias em suas redes sociais que comuniquem sobre os riscos da automedicação e detalhem a Hipocondria Cibernética, sugerindo que o paciente obtenha o hábito de buscar informações médicas com profissionais da saúde e mantenha em mente que não se pode confiar em respostas de sites onde qualquer ser portador de Internet possa fazer alterações nestes. Somente assim será possível combater o aumento do automedicamento, assim como fez Julius em “Todo Mundo Odeia O Chris”.