Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 17/08/2020

O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a Cibercondria, a doença da era digital, afeta a sociedade como um todo. Assim, seja pela falta de orientação, seja pela automedicação, o problema  atua silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a carência de profissionais para orientar esse público pode gerar prejuízos à saúde. Isso ocorre, pois basta “dar um google” e o “diagnóstico” surgirá na tela do computador, como mágica. Entretanto, essa prática coloca em risco a saúde da população, uma vez que o laudo virtual está sujeito não somente à falta de procedência, mas também a erros que podem ser fatais para o paciente. O excesso de informação acaba prejudicando a saúde, de modo que as pessoas estão se automedicando e autodiagnosticando através de uma simples pesquisa na internet. Segundo o Instituto de Ciência e Tecnologia de Qualidade (ICTQ), 40% da população brasileira fazem autodiagnósticos médicos pela internet.

Paralelo a isso, vale também ressaltar que o uso inadequado de remédios pode trazer sérios danos à saúde da pessoa. Isso ocorre, pois todo medicamento necessita de prescrição médica, tendo como exemplo, o uso do fármaco Ritalina pelos estudantes, que promete horas de extrema concentração e rendimento nos estudos. Além disso, nota-se que o uso contínuo de medicamento, sem a devida necessidade, torna os agentes causadores mais resistentes, resultando em uma má eficiência futuramente.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Para isso, o Ministério da Saúde - órgão responsável pelas políticas públicas voltadas para a promoção, a prevenção e a assistência à saúde dos brasileiros - deve promover campanhas de conscientização acerca da Cibercondria, por meio de propaganda e informes publicitários, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade do assunto com o intuito de esclarecer e orientar a população sobre a doença. Só assim, o problema da Hipocondria digital será amenizado.