Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 20/08/2020

O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a cibercondria afeta a sociedade como um todo. Assim, seja pelo acesso livre a informações seja pela facilidade na aquisição de medicamentos, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, deve-se destacar que a grande facilidade no acesso à internet, acaba muitas das vezes gerando prejuízo à população. Isso ocorre muitas vezes porque, com a dificuldade em realizar consultas no precário Sistema Único de Saúde, parcela dos usuários do serviço recorre à web para sanar dúvidas em fontes questionáveis e, ao realizar um diagnóstico amador, coloca sua saúde em risco. Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro.

Paralelo a isso, vale também ressaltar que a facilidade na hora da compra de um remédio sem prescrição médica ajuda no aumento de casos de hipocondria. Embora grande parte dos antibióticos necessitem de receita médica para serem adquiridos, muitos ainda podem ser comprados sem que haja apresentação de um receituário médico e são exatamente esses que se tornam de ingestão “comum” pela população.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do ministério da saúde- órgão necessário pelas políticas públicas voltadas para a promoção, a prevenção e a assistência à saúde dos brasileiros- promover campanhas de conscientização acerca da cibercondria, por meio de propaganda e informes publicitários, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade do assunto com o intuito de esclarecer e orientar a população sobre essa doença. Só assim, o problema da hipocondria digital será amenizado.