Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 17/08/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercronia torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem.  Nesse cenário, seja pelo grande número de pessoas que se autodiagnosticam e se automedicam da maneira errada prejudicando a saúde , seja pela falta de profissionais qualificados na área da saúde para realizar os diagnósticos, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que ,a maior partes das pessoas ao perceberem qualquer sinal ou sintomas de que estão doentes “correm” para a internet afim de achar diagnósticos possíveis diagnósticos. E isso é “normal” considerando que estamos na era digital, porém, se essa ação começa a ocorrer de forma frequente ela tende a se tornar uma doença, a cibercondria. De acordo com dados de pesquisas realizadas pelo site “O Estado”, o Brasil é o país em que as buscas referentes à saúde na internet mais cresceram no ano de 2018. A porcentagem de brasileiros que recorrem ao Google como primeira fonte de informação é de 26% estando assim muito próxima da quantidade de pessoas que recorrem primeiro ao médico que é 35%. E somente 25% dos brasileiros tem plano de saúde, e cerca de 79% está conectado a internet.

Outro fator existente é a falta de confiança em profissionais na área da saúde, “A experiência do adoecimento traz muita insegurança e nem sempre o paciente tem garantia que será bem acolhido, por isso ele apela para a internet, para tentar se proteger, se informar, suprir um vazio” diz o coordenador dos ambulatórios do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Rodrigo Leite. Para ele a cibercondria é uma “nova roupagem” para transtornos já existentes, em que há excessiva preocupação com o corpo ou com o possível aparecimento de doenças.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do ministério da saúde- órgão responsável pelas políticas públicas voltadas para a promoção, a prevenção e a assistência à saúde dos brasileiros – promover campanhas de conscientização acerca da cibercondria, por meio de propaganda e informes publicitários, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade do assunto com o intuito de esclarecer e orientar a populção sobre essa doença. Só assim, o problema da hipocondria digital será amenizado.