Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 19/08/2020
Durante a segunda metade do século XX, teve início a Revolução Técnico-Científico-Informacional, responsável por capacitar inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações, por exemplo. Embora esse processo tenha representado um grande passo para a sociedade, além de possibilitar o progresso tecnológico, tal movimento promoveu tamanho acesso à disponibilidade ampla de informações na internet que, agregada ao uso negligente desta, por fim, torna-se prejudicial. Em razão da praticidade encontrada na realização de pesquisas, intensificada por problemas nas unidades de saúde, encontra-se na atualidade uma doença da era digital, a Cibercondria. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade íntegra seja alcançada.
Primeiramente, é notável que a internet está apta para promover aos seus usuários diversas ferramentas facilitadoras. Em contrapartida, o sistema e as unidades de saúde, majoritariamente, demandam tempo, locomoção, espera e custo. Com o impulso do hábito e para evitar estas situações, a maioria das pessoas com algum problema médico prefere realizar um diagnóstico no conforto de sua casa, com pesquisas a partir dos sintomas observados, o que não é apropriado nem acertivo. “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”, diz o filósofo indiano J. Krishnamurti, refletindo na importância de prezar pela saúde antes da comodidade.
Ademais, além de efetuar o diagnóstico sem a consulta de um especialista, muitas pessoas iniciam o tratamento da mesma maneira. A automedicação é feita por cerca de 77% dos brasileiros, afirma o Conselho Federal de Farmácia. Oriunda de um diagnóstico não especializado, a probabilidade de o tratamento administrado não ser o adequado é alta, tornando-o perigoso e potencialmente capaz de prejudicar o quadro de saúde da pessoa, sendo então bastante perigoso. Segundo o relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas, até 2050 a medicação sem prescrição médica pode matar cerca de10 milhões de pessoas por ano.
Posto isso, infere-se a importância e necessidade de atentar-se à Cibercondria, cedendo espaço e visibilidade ao assunto. Desse modo, o Ministério da Educação e a indústria farmacêutica poderiam, por meio de uma parceria, incentivar campanhas em prol das consultas de prevenção com especialistas. Outrossim, estes, junto aos principais órgãos de saúde, devem viabilizar a Educação Digital, fazendo o uso da própria internet e mídias digitais (que são, em partes, a origem do problema), orientando a problemática dos diagnóstico e automedicação on-line, e também expondo as consequências perigosas dessa prática, a fim de evitar os danos á saúde acometido pela própria população. Assim, Observar-se-ia pessoas mais conscientes, menos expostas aos riscos e o sistema de saúde também beneficiado.