Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 18/08/2020
É indubitável que o advento da internet facilitou o acesso à informação. Contudo, esse acesso dinamizado intensifica a condição de indivíduos hipocondríacos: quando essa doença atinge o meio tecnológico, ela passa a ser chamada de cibercondria, sendo preocupante à sua dimensão, por causa da vasta disponibilidade de informações na internet. No Brasil, as causas para a intensificação da cibercondria estão no anseio de terminar uma ansiedade pessoal, aliado ao comodismo e têm como consequências efeitos colaterais da automedicação e desconfiança nos profissionais da saúde. Primeiramente, é necessário entender como o comodismo influencia na magnificação da cibercondria. De acordo com dados de uma pesquisa do Centro de Estudos sobre Tecnologia da Informação e Comunicação, 33% dos usuários usam site de busca para procurar informações relacionadas à saúde. Isso exemplifica a negligência da população, pois é mais fácil usar a internet do que procurar um médico. Ademais, quando confrontados por um diagnóstico divergente do encontrado por eles, o cibercondríaco acredita que ou o médico está desatualizado, ou é incapaz de exercer a profissão. Dessa forma, o indivíduo portador dessa condição não possui confiança nos profissionais, sendo fundamental a prevenção dessa doença por meio da sua exposição. Além disso, essa utilização exacerbada da internet pelos cibercondríacos pode tornar-se um círculo vicioso de ansiedade. Com pesquisas feitas na internet, sendo elas erradas, fazem as pessoas acreditarem que seus sintomas são mais “perigosas” do que as que realmente estão, um exemplo disso é o câncer. Com efeito, os indivíduos ficam ansiosos sobre sua condição e deprimidos, o que pode ser intensificado pelo uso errôneo de remédios, causando efeitos colaterais como doenças derivadas do estresse e alterando o seu estado emocional. Nesse sentido, urge que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, promova cartilhas de prevenção à cibercondria que mostrem as consequências da automedicação, expondo a exatidão por meio de fatos científicos.