Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 19/08/2020
Buckminster Fuller, escritor estadunidense, declarou que a humanidade está adquirindo a tecnologia certa, mas por razões erradas. Infelizmente, tal declaração está se concretizando dia após dia na sociedade, sendo extremamente evidente os malefícios que a era digital pode provocar na coletividade, na qual, não apenas, mas também, está inclusa a cibercondria: doença que une a preocupação excessiva com a saúde e o pensamento de estar sempre doente com as abundantes informações encontradas facilmente na internet. Assim sendo, torna-se imprescindível que o quadro atual sofra alterações e que sejam realizadas com o intuito de mitigar os impasses existentes.
Em primeira análise, é importante ressaltar a comodidade que a tecnologia proporciona nos dias atuais aliada a falta de tempo relatada pela sociedade. Dessa forma, não há um acompanhamento ideal de um profissional da área da saúde e os indivíduos preferem acreditar nas informações encontradas na internet e duvidar do profissional, por essa ser a forma que proporciona mais facilidade no diagnóstico. Do outro lado, a aceitação de doenças graves sem o reconhecimento do médico pode provocar a ansiedade e a automedicação, gerando problemas ainda maiores no futuro. Sendo assim, é confirmado o pensamento de Molière, o qual diz que quase todos os homens morrem de seus remédios, não de suas doenças.
Outrossim, o instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico realizou uma pesquisa que revela que a automedicação é realizada por 79% dos brasileiros com idade superior a 16 anos. Para o cardiologista Marcos Vinícius Gaz, profissional do Hospital Israelita Albert Einstein, a facilidade para adquirir remédios no Brasil é o grande motivo para o uso de medicamentos ser desordenado, sendo possível comparar a venda de remédios com simples chicletes, muitas vezes sem levar em conta a orientação do próprio farmacêutico. Para mais, o uso de medicações sem prescrição médica e sem necessidade acarretam um vício, e como a automedicação é um problema recente, ainda não se conhece os verdadeiros danos causados à longo prazo.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para abrandar as situações atuais. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, proponha formas de dificultar a venda de medicamentos. Nele deve inferir a obrigatoriedade de consultas com um médico selecionado para assegurara necessidade do uso. Espera-se, com essa medida que a realidade atual seja convertida.