Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 20/08/2020
É fato que desde os primórdios o homem busca ferramentas para facilitar o seu trabalho, é inegável que os avanços causados pela internet substituíram muitos outros serviços. Nesse contexto, a internet atua como facilitadora, trazendo informações de maneira rápida e de fácil acesso, mas até que ponto as informações buscadas são seguras e não causam danos a saúde do usuário?
De acordo com o pensamento do sociólogo Pierri Bourdieu: ‘‘aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação’’. No entanto, o pensamento de Bourdieu não é vivenciado com ênfase na prática, tendo em vista que, a inoperância das fiscalizações públicas no meio virtual contribuem para o surgimento de manifestações psicopatológicas e corrompem o avanço social.
Entretanto, é importante mencionar que os problemas de automedicar-se são severos e preocupantes. De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ITQ) automedicação com a ajuda da internet é praticada por 76,4% dos brasileiros, dados muito preocupantes, sobretudo, porque a seleção de antígenos mais resistentes podem provocar melhora falsa nos sintomas e alívios temporários apenas para mascarar a doença e deixar o paciente com a falsa sensação de cura, contribuindo para o superlotamento do sistema público de saúde.
Segundo Instituto de Pós-Graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico (ICTQ), cerca de 80% das pessoas acima de 16 anos praticam a automedicação. É portanto inadmissível, que o estado permita tal relação de fluxos de informações de medicamentos.
Portanto, é mister que o estado tome providências para atenuar esse cenário. Para conscientizar a população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que enfatize os prós e contras do mundo virtual, principalmente quando se trata de automedicação. Ademais, cabe a Organização Mundial da Saúde (OMS), investir em tecnologias, desenvolver uma plataforma para que os médicos consigam atender uma maior demanda de pacientes via internet, facilitando o acesso de todos a saúde e, quando houver situações mais graves, o próprio médico pode encaminhar o paciente ao hospital para receber o seu atendimento e realizar exames.