Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 19/08/2020
Com a chegada da Terceira Revolução Industrial na segunda metade do século XX, novas tecnologias foram introduzidas no cotidiano dos seres humanos e seu acesso tornou-se rápido e fácil. Entretanto, o avanço tecnológico não trouxe apenas benefícios, um dos problemas advindos da era digital foi a Cibercondria, que é a prática da automedicação e do autodiagnóstico através de consultas pela internet. O problema é que muitas vezes o diagnóstico é errôneo, o que pode causar sérios danos à saúde do indivíduo. Nesse contexto, muito se tem discutido, recentemente, acerca de possíveis soluções para essa problemática.
Em primeira análise, vale ressaltar que a falta de conhecimento é um fator primordial no que tange à cibercondria. Isso porque as pessoas leigas, na maioria das vezes, não procuram um profissional da saúde, consultando apenas as informações na internet advindas de fontes não confiáveis. De acordo com o Instituto de Pós-Graduação Para Profissionais de Mercado Farmacêutico (ICTQ), aproximadamente 8 a cada 10 jovens com mais de 16 anos praticam a automedicação. Desse modo, evidencia-se um aumento na gravidade da doença, visto que se o diagnóstico for realizado sem orientação profissional, os riscos de intoxicação e complicações aumentam. Dessa maneira, cria-se um ciclo vicioso em que a busca é mais cômoda que o agendamento de uma consulta tradicional.
Em segunda análise, é indubitável que a escassez de espaços destinados à educação digital e à promoção da saúde nas escolas públicas brasileiras figura como fator de disseminação dessa patologia moderna. Segundo o Censo Escolar lançado pelo Ministério da Educação, apenas 46,8% das escolas de ensino fundamental dispõem de acesso à internet. Deste modo, as instituições de ensino e as mídias, ao não promoverem conhecimentos adequados acerca dos conteúdos de saúde em rede, proporcionam a manutenção da irreflexão sobre os impactos negativos advindos do autodiagnostico e, por conseguinte, da automedicação.
Dessa forma, é de suma-importância que o Governo Federal tome medidas diligentes que mitiguem a disseminação da cibercondria no país. Destarte, o Governo, através dos Ministérios da Educação e da Saúde, deve promover o diálogo sobre educação digital e saúde nas escolas e nas mídias, mediante o desenvolvimento de oficinas, aulas e campanhas midiáticas nas instituições de ensino com especialistas em informática e profissionais de saúde, para estimular a capacidade crítica dos internautas brasileiros quanto aos perigos das informações de saúde na rede virtual. Outrossim, o Governo Federal deve ampliar o acesso da população à saúde por meio de mutirões de saúde e melhora da rede básica, visando ao bem-estar dos seus cidadãos.