Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 16/08/2020

É indubitável que com o avanço da internet, novos meios de comunicação foram desenvolvidos para unir pessoas de todo o mundo. Porém, essa nova tecnologia trouxe para a população certos costumes que não existiam como pesquisas no google e jogos eletrônicos fizeram com que crianças, jovens e adultos ficassem dependentes dessas ferramentas e desenvolvessem o que chamamos de Cibercondria (doença da era digital) que afeta não só a população brasileira, como também global.

Em primeiro lugar, é preciso estabelecer os riscos que esse comportamento traz. Nesse sentido, uma pessoa que pesquisa seus sintomas online pode se deparar com uma infinidade de doenças, visto que muitas têm sintomas parecidos. Logo, ela pode se assustar com os resultados e achar que tem uma doença grave, ou pode ser convencida de que não tem nada sério e não se tratar, correndo o risco de ter seu quadro agravado. Além disso, ao agir dessa forma, muitas pessoas se acham aptas a se automedicar e consomem remédios que podem ser prejudiciais. Como prova, 79% dos brasileiros com mais de 16 anos se automedica, segundo o ICTQ, instituto da área farmacêutica. Isso demonstra como está disseminado esse comportamento na população e como a internet tem responsabilidade nisso.

Outrossim, além dos riscos individuais, é indispensável pensar nas consequências coletivas que a cibercondria pode acarretar. Dessa forma, ao não conferir tratamento adequado às doenças, existe a possibilidade de disseminação dos agentes patogênicos, tendo em vista que muitas patologias são transmissíveis.

Percebe-se, então, que o ser humano, por ser um “animal político”, conforme definiu Aristóteles, foi feito para viver em comunidade e deve pensar de forma coletiva. Por essa razão, antes de acreditar em tudo que lê online e dispensar a figura do profissional especializado, o indivíduo deve pensar que pode prejudicar outras pessoas além de si mesmo.

Destarte, o uso da internet como meio de verificação de doenças e tratamentos é um problema real e precisa ser urgentemente solucionado. Dessa maneira, o governo federal, na figura do Ministério da Saúde, precisa, antes de tudo, investir pesadamente em mecanismo capazes de conscientizar a população, a partir do incremento de campanhas publicitárias, seja por meio da televisão, rádio ou mesmo da internet, cuja finalidade última será deixar claro os perigos associados à esse problema. Posto isso, será possível impedir consideravelmente a perpetuidade da cibercondria e reduzir significativamente o número de pessoas que usam os mecanismos de pesquisas em detrimento do auxílio profissional e capacitado de médicos, enfermeiros ou farmacêuticos.