Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 20/08/2020
Alguns estudiosos acreditam que a Internet foi um marco importante e decisivo na evolução tecnológica. Isso porque ultrapassou barreiras ao aproximar pessoas, culturas, mundos e informações. Fato este que, segundo eles, não acontecia desde a chegada da televisão, na década de 50. Hoje em dia, a Internet é utilizada mundialmente como ferramenta de trabalho, diversão, comunicação, educação, informação. E graças a toda essa aproximação e facilidade de acesso a informação, muitas pessoas acabam pesquisando seus sintomas em sites não tão confiáveis e assim se automedicando erroneamente pensando ser uma doença mais grave, assim sendo uma cibercondria.
Quem nunca entrou na internet para investigar a respeito de seu problema de saúde?… É praticamente impossível achar alguém que nunca tenha feito isso. Não que não seja legítimo e válido buscarmos informações, entretanto, para um grupo, isso pode se tornar um verdadeiro pesadelo. Para aqueles que são mais ansiosos por natureza e que já sofrem muito com a hipocondria, o acesso a centenas de informações pode acarretar ainda mais adversidades. A cibercondria pode piorar as condições de saúde de muitos e gerar, de quebra, outros tipos de problemas.
Na pesquisa americana, feita com mais de 500 indivíduos, com média de idade de 30 anos e de ambos os sexos, algo comum entre eles era o fato de que a maioria afirmava ter necessidade imperativa de saber o que, efetivamente, “o destino lhes reservava”. Além disso, de acordo com os inventários aplicados, a maioria deles passava muito tempo do seu dia pensando sobre a própria saúde, se comparado àqueles que não usavam a internet para tais fins. A farmacêutica bioquímica da Unimed Rio Preto Andreia Bellentani Pitarelli explica que “Existe o risco de interação de medicamentos onde um pode anular ou potencializar o efeito do outro, de toxicidade ou até de atrasar um diagnóstico. Você pode tomar um analgésico para dor de cabeça e mascarar um tumor”.
Portanto fica evidente que esta nova doença deve ser tratada, é possível que informações médicas disponíveis na internet precisem, no futuro, de algum tipo de regulação, na tentativa de proteger estas pessoas em seu processo de autodiagnóstico. O combate as famosas fake news também seria de grande ajuda neste cenário, alem também do acompanhamento psicológico aos cibercondríacos. Enfim, é a tecnologia criando novos contornos a velhos problemas. Vamos ficar atentos!