Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 19/08/2020

Cibercondria: os riscos do autodiagnóstico.

Segundo o poeta austríaco, Karl Kraus: “Uma das causas mais comuns de todas as doenças é o diagnóstico”. Naturalmente, ao analisar tal pensamento, percebe-se de forma análoga uma ligação com um problema muito recorrente na sociedade brasileira: a cibercondria – termo que descreve a condição de acreditar e temer doenças sobre as quais se lê na internet. Tal condição tem gerado quadros de ansiedade e automedicação em uma parcela cada vez maior da população. Isso ocorre devido ao fácil acesso a informações, bem como à insuficiência de iniciativas governamentais.

Primeiramente, vale ressaltar que, com o advento da Terceira Revolução Industrial, o mundo passou a receber cada vez mais conhecimento através de meios acessíveis e atrativos como os “smartphones” e a internet. No entanto, a facilidade com que as informações chegam às mãos das pessoas, sobretudo quando relacionadas à saúde, podem incentivar o autodiagnóstico e consequentemente a automedicação. Tal fato é evidenciado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), que revela que 77% dos brasileiros fazem uso de medicamentos sem prescrição médica, infelizmente reproduzindo a afirmação de Kraus, já que ao diagnosticar a si próprio, o cidadão se põe em risco ao se auto remediar.

Outrossim, a superlotação, as longas filas de espera para atendimento e, em alguns casos as péssimas qualidades de infraestrutura das Unidades Básicas de Saúde (UBS) contribuem para que cidadãos se neguem a procurar ajuda profissional e se utilizem de ferramentas como o “Google” para se tratar. Sobre isso, uma pesquisa da Revista Cogitare de Enfermagem – que analisou infraestrutura e equipamentos em Postos de Atenção Básica – avaliou 48% das UBS do estado de Minas Gerais como insatisfatórias. Posto isso, ressalta-se importância de intervenções estatais urgentes.

Infere-se, portanto, que a cibercondria é uma questão de saúde pública que deve ser discutida por todos. Logo, cabe ao Ministério da Saúde – órgão responsável pela administração e manutenção da saúde no país – promover ações que visem atenuar o problema. Isso poderá ser feito através de campanhas com palestras, distribuição de panfletos e cartazes para tornar conhecida a importância da ajuda médica no tratamento de doenças, além disso, fazem-se necessárias reformas nas instalações das UBS por meio de repasse de verbas do Sistema Único de saúde (SUS), com o objetivo de possibilitar o acesso aos serviços públicos de saúde a todos. Dessa forma, garante-se uma nação democrática e humanizada.