Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 24/11/2020

No século XX, com a Revolução Técnico-Científico-Informacional, diversas mudanças foram observadas nos âmbitos sociais, especialmente no espaço digital e no espaço da saúde. Neste contexto, constata-se o surgimento da cibercondria; a doença da era digital, em virtude da banalização dos diagnósticos realizados apenas por profissionais da saúde. Assim, é lícito afirmar que a falta de consulta aos médicos e a automedicação contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Em primeira análise, nota-se que a prática de recorrer ao médico em caso de complicações à saúde está diminuindo na era digital. Nessa perspectiva, de acordo com o jornal Gazeta do Povo, dentre os riscos à saúde agravados pelo Google, o hábito de certos indivíduos pesquisarem e diagnostica a própria doença é um deles. Sob essa ótica, uma vez que determinados sintomas podem ser atribuídos a diversas patologias ao mesmo tempo, indivíduos recorrem aos sites para obter respostas são suscetíveis a, por exemplo, concluírem ser apenas uma virose simples, quando, na verdade, é uma doença grave. Desse modo, sem os diagnósticos feitos por profissionais, riscos à saúde, desde os simples aos graves, são alarmantes.

Além disso, a automedicação é uma realidade preocupante à saúde no cenário atual. Nesse sentido, segundo pesquisa feita pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, voltado para o mercado farmacêutico, cerca de 80% dos brasileiros jovens têm o costume de se automedicar. Por conseguinte, dado que numerosos remédios são vendidos sem prescrição médica, as restrições de cada indivíduo e o tratamento adequado são negligenciados pelo setor farmacêutico, o que pode desenvolver consequências perigosas no indivíduo Dessa maneira, sem a devida orientação médica para ingestão de remédios, a intoxicação é viável.

Portanto, diante dos fatos supracitados, cabe à Organização Mundial da Saúde, juntamente aos órgãos de cada país responsáveis pela tecnologia e pela saúde, promover restrições aos sites que proporcionam diagnósticos generalizados às patologias, em que alertas para consultar ao médico sejam evidenciados e facilitados aos indivíduos, tendo em vista a análise da situação por um profissional. Ademais, os órgãos competentes devem salientar, por meio das mídias sociais, os perigos acarretados pela automedicação, além de restringir a venda de remédios sem prescrição médica, com o intuito de diminuir a venda indiscriminada. Dessa forma, a cibercondria, a doença da era digital, será diminuída.