Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 20/08/2020

Com base na intensificação do desenvolvimento de novas tecnologias desde o período da Primeira Revolução Industrial, é inegável dizer que a internet revolucionou os meios de comunicação, possibilitando então, a criação de uma enorme rede de pesquisas e informações dispostas à diversos usuários ao redor de todo o planeta. Perante esse contexto, ao passar dos anos, novos problemas relacionados à internet vêm surgindo, em especial, a criação de um termo para uma nova patologia: a cibercondria (também conhecida como ‘‘a hipocondria da era digital’’), que está relacionada diretamente à ansiedade sobre à saúde de um determinado indivíduo.

Primeiramente, é indubitável que a criação de um ambiente virtual intesificou a característica do ser humano atual, o sedentarismo. Com vários artigos e publicações médicas e até mesmo vídeos onde médicos explicam um pouco sobre questões de determinadas doenças, muitas pessoas passaram a desconsiderar a ida ao médico de forma presencial como um elemento essencial para a prescrição de algum medicamento ou receita, e é nesse contexto que entra o problema da cibercondria. Segundo uma pesquisa realizada pelo CFF e Datafolha, cerca de 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar e dentre desse percentual, quase metade (47%) se automedicam pelo menos uma vez por mês.

Em segundo plano, o surgimento de notícias falsas (conhecidas como ‘‘Fake News’’) e o surgimento de matérias tedenciosas e sensacionalistas também contribui para a disseminação de ideias errôneas à respeito de medicamentos e receitas médicas. Atualmente, discursos políticos se tornaram grandes alvos e propagadores de notícias falsas, uma vez que determinado político se aproveita de um grupo de pessoas mais ‘‘ingênuo’’ para propagar informações sobre remédios e medicamentos sem nenhuma base ou pesquisa científica comprovando a eficiência do determinado remédio para a doença em questão naquele ambiente de discussão. Esse fato reforça a ideia de que a procura de um profissional especializado na área da saúde é sempre a melhor opção, pois só ele terá argumentos e provas científicas suficientes para a pescrição de um determinado remédio.

Portanto, mediante aos fatos abordados, é dever do Ministério da Saúde a criação de campanhas publicitárias que divulgem a importância da procura de um profissional especializado e os perigos que a automedicação pode trazer na vida da população. É importante ainda, que o Governo Federal invista em um sistema de monitoramento digital com o objetivo de combater a disseminação de Fake News no ambiente tecnológico em geral e promover a punição de indivíduos que apoiarem esse tipo de propagação falsa.