Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 25/08/2020
No mito do “Canto das Sereias”, pescadores eram atraídos pela beleza do canto das criaturas e, por conta da grande sedução provocada, descuidavam de seus arredores, sofrendo naufrágio. Analogamente, hoje, muitos indivíduos padecem de cibercondria, já que são seduzidos pela facilidade da busca de determinados sintomas clínicos na internet, entretanto essa atitude pode acarretar em problemas, como a ansiedade exacerbada e a automedicação. Por isso, torna-se necessário debate acerca da cibercondria.
Primeiramente, é importante destacar que não é vantajoso pesquisar o diagnóstico de doenças por intermédio de sites aleatórios na “web”. De acordo com o filósofo Platão: “O importante não é só viver, mas viver bem”. Nesse sentido, a procura constante por indícios e manifestações de possíveis enfermidades, além de não contribuir para a melhoria da qualidade de vida, pode ainda prejudicar o psicológico da pessoa, visto que ela passa a estar cercada de incertezas e preocupações que são, muitas vezes, desnecessárias. Desse modo, a cibercondria acarreta em um ciclo de dúvidas e inquietação.
Em segundo lugar, a doença da era digital colabora para o aumento da automedicação. Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto farmacêutico ICTQ, no ano de 2018, aproximadamente 80% dos brasileiros praticam a automedicação. Nesse segmento, a busca por remédios na internet combinado com o fácil acesso a esses sem prescrição médica corrobora os altos índices dessa prática no meio da população, haja já vista que o auto tratamento se torna mais cômodo e barato por suspender os exames profissionais. Dessa forma, a ação de utilizar fármacos sem indicação especializada pode complicar a saúde de muitos sujeitos.
Infere-se, portanto, que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. É mister que a Organização Mundial da Saúde (OMS) promova, por meio de projetos de telemedicina, a disponibilidade de consultas online com médicos especialistas e preços acessíveis, a fim de proporcionar aos indivíduos diagnósticos confiáveis, evitando os malefícios da falta desses. Além disso, cabe ao Governo Federal criar, mediante a organização de assembleias do Poder Legislativo, leis mais seguras a respeito da comercialização de medicamentos, com o intuito de diminuir os índices de automedicação no país. Somente assim o naufrágio ocasionado pela cibercondria poderá ser contido.