Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 25/08/2020

O avanço das tecnologias trouxe diversos pontos positivos para a humanidade, como a disponibilização de conhecimento na internet com fácil acesso. Nesse sentido, informações sobre doenças e sintomas são pesquisadas a todo momento e, se utilizadas de forma inapropriada, pode acarretar na Cibercondria. É necessário, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar os efeitos colaterais provenientes desse ato, bem como a consecutiva automedicação, que provém de indivíduos que acreditam em toda informação vista e consideradas atreladas aos sintomas presentes.

Em primeiro lugar, é válido lembrar que os assuntos disponibilizados na internet, funcionam por meio de um algorítimo. Dessa forma, ao digitar um sintoma, logo é apresentado as doenças mais pesquisadas, que acabam sendo as mais sérias, como o câncer. Assim, muitas vezes os sintomas são mútuos a várias doenças. Porém, essas pessoas acabam achando que estão com determinados problemas, sem o diagnóstico de um médico, de modo a provocar ansiedade de medo. Ademais, esses sentimentos podem acarretar na desistência de uma consulta, já que é esperado uma notícia ruim. Vale lembrar, que durante a atual pandemia de COVID-19, muitos indivíduos acabam confundindo os sintomas com os de outros vírus, como o da gripe, e deixam de buscar ajuda por verem relatos na mídia e internet, fazendo com que não haja o tratamento adequado e leve a um caso mais grave ou ao óbito.

Em segundo lugar, as pesquisas acerca de doenças, muitas vezes, resultam na automedicação. Desse modo, segundo o Conselho Federal de Farmácia, 77% dos brasileiros praticam esse ato, fazendo-se sujeitos a diversos efeitos negativos. Ademais, quando o indivíduo procura tratamento sem diagnóstico e auxílio médico, ele pode acarretar na complicação do quadro atual. Além disso, o uso indiscriminado de drogas pode resultar em alergias e intoxicações, já que durante uma consulta médica as restrições do paciente são consideradas fundamentais para medicá-lo.

Diante dos fatos supracitados, conclui-se a importância da utilização adequada dos recursos tecnológicos, para que auxiliem o indivíduo em vez de prejudicá-lo. Logo, urge que o Governo, por meio do Ministério da Saúde, veicule propagandas, por meio de redes sociais e de televisão aberta, para informar a sociedade brasileira acerca dessa problemática, bem como a divulgação de dados estatísticos impactantes a respeito de pesquisas sobre indivíduos que sofrem ou sofreram com a Cibercondria. Dessa forma, as pessoas serão incentivadas a não acreditar em qualquer informação lida e a buscar uma consulta para diagnostica-lá.