Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 11/09/2020

Com grandes tecnologias, vêm grandes responsabilidades. De fato, a internet mudou o mundo. Ela democratizou o acesso à informação, proporcionou rapidez e desmonopolizou a autoridade sobre os assuntos. Como consequência, as informações apresentadas na rede nem sempre são de qualidade, verídicas ou confiáveis. Logo, notícias falsas ou informações distorcidas ligadas a área da saúde levam muitas pessoas a se intoxicarem  e morrerem.

“O charlatanismo compensa (…)”, afirma o doutor em biologia Paulo Miranda, e ele acrescenta: “(…) como a internet não possui um filtro para especialistas, qualquer um pode falar sobre qualquer coisa”. Pode-se concluir que o maior problema da internet é a o excesso de democratização no lugar de fala, os verdadeiros especialistas são diluídos por uma maré de desinformação.

Por sua vez, a maré de desinformação se reflete no mundo real. Segundo o ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico), 79% das pessoas se automedicam e 91% tomam remédios sem prescrição médica. A consequência da automedicação é revelada pela farmacêutica Flávia Massom, que afirma que a cada 6 horas uma criança é internada por intoxicação de dipirona. Ademais, como foi mostrado pela Dr. Laura de Freitas, um homem morreu ao se intoxicar com chá verde que tomava como parte de seu projeto de saúde pessoal que leu na internet.

Se o problema é a desinformação a única solução é a informação. Em suma, os conselhos médicos (CFM) e farmacêuticos (CFF) devem se unir e transmitir conteúdo gratuito sobre saúde para a população nas redes sociais. Além disso, devem patrocinar canais, páginas e blogs de divulgação científica, para que cada vez mais informações corretas cheguem a todos e assim possam mitigar os efeitos das notícias e dados falsos.