Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 11/09/2020
No livro “Geração Superficial”, o escritor Nicholas Carr afirma que, embora a internet tenha universalizado as informações, essa ferramenta também tem provocado impactos negativos na sociedade. Análogo a isso, a cibercondria é um desses problemas, o qual tem como causas a facilidade do meio virtual e o acesso limitado ao sistema de saúde. Logo, evidencia-se a necessidade de mecanismos para solucionar essa problemática.
Nesse contexto, a comodidade do âmbito virtual é um dos precursores da cibercondria. Sob essa óptica, após a Revolução Técnico-científica, a globalização e o intenso desenvolvimento tecnológico impulsionaram o acesso amplo à informação, por exemplo, dados médicos, através da internet. Tal fator contribui para que o indivíduo, ao sentir quaisquer sintomas, busque na “web” uma análise sem garantia de veracidade, podendo levar à automedicação, como no filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulaim”, no qual uma personagem consome medicamentos por conta própria ao ter qualquer mal-estar. Dessa forma, é imprescindível a atuação governamental para reverter esse impasse.
Ademais, a dificuldade de acesso dos cidadãos à saúde pública agrava a doença em questão. Nesse viés, segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser usada para garantir o bem-estar do corpo social. No entanto, nota-se que, na contemporaneidade brasileira, esse ideal não é praticado, haja vista a burocracia no atendimento médico, o que estimula a população procurar respostas rápidas nas redes digitais. Desse modo, são fundamentais medidas intervencionistas, visto que pode ocasionar no autodiagnóstico sem confirmação de profissionais da área.
Portanto, faz-se necessário que o Governo, por uma ação do Ministério da Saúde, crie campanhas de orientação e implemente-as em todas as esferas da sociedade, como nas escolas, nos hospitais e na mídia, por meio de palestras com especialistas, de panfletagem e de propagandas publicitárias nas redes sociais, a fim de informar os brasileiros sobre os perigos do diagnóstico virtual e da automedicação. Além disso, esse Órgão deve desburocratizar o funcionamento na rede pública de saúde, com o intuito de gerar maior rapidez nos atendimentos e de incentivar a população a procurar ajuda médica em casos de doença. Assim, o Brasil usufruirá de forma benéfica todos os recursos oferecidos pela internet sem maiores danos.