Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 10/09/2020

A cibercondria, segundo a psicologia, é um distúrbio em que os indivíduos acometidos, os quais pensam estar sempre doentes, buscam se autodiagnosticar com base em leituras virtuais. Nesse contexto, a automedicação pode causar quadros graves de intoxicação, pois a simples pesquisa na internet não capacita o paciente ao autodiganóstico. Além disso, as indútrias farmacêuticas facilitam o acesso a uma enorme quantidade de medicamentos, elevando a possibilidade de consumo de remédios sem o porte de prescrição médica.

Primeiramente, é preciso destacar que o diagnóstico de uma patologia exige métodos científicos exatos, o que não pode ser alcançado a partir de leituras superficiais na internet. Segundo o Centro de Informações e Assistência Toxológica (Ciatox) da Unicamp, a automedicação, principalmente baseada por buscas no “Google”, ocupa o primeiro lugar nos números de problemas por ingestão de produtos tóxicos no Brasil. Assim, fica evidenciado que comportamentos cibercondríacos contribuem significativamente nos casos de atendimentos hospitalares, consequência do uso indiscriminado de medicamentos.

Ademais, as indústrias farmacêuticas, objetivando maiores lucros, colocam à disposição do público inúmeros medicamentos que não necessitam da apresentação de receita médica, apesar do potencial de intoxicação no consumo deles. Um bom exemplo é o ácido acetilsalicílico (ASS), que é usado no combate à febre e não exige receita médica para compra, porém, se usado em quadro de dengue, o qual pode ser facilmente confundido com uma gripe, o ASS pode causar hemorragia interna devido à intoxicação. Nesse sentido, a venda incontrolada de remédios pode agravar a saúde de cibercondríacos, inclusive acarretando em fatalidades.

Desse modo, se torna essencial que a venda de medicamentos seja controlada de forma restritiva a pacientes sem prescrição médica. Assim, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) , deve intensificar a fiscalização na venda de mecidamentos,  construindo um banco de dados digital, o qual irá criar um elo entre o cidadão que adquire o medicamento e o seu CPF, para que o órgão fiscalizador tenha controle da frequência que o indivíduo compra remédios. Somente com tal medida pode-se controlar o nível de pessoas intoxicadas devido ao distuúrbio cibercondríaco.