Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 12/10/2020

A série norte-americana “Grey’s anatomy”, dirigida por Shonda Rhimes, retrata em um de seus episódios a aflição vivida por uma paciente diagnosticada com cibercondria, transtorno análogo à hipocondria; que se define como uma incessante busca por patologias e tratamentos em sites de pesquisa. Nesse sentido, no século XXI, no Brasil, a cibercondria é considerada a doença da era digital, o qual ocorre, evidentemente, devido à negligência governamental e o frenético conteúdo apelativo das propagandas destinadas à automedicação e venda de fármacos.

Preliminarmente, é pertinente elencar que a escassez de investimentos do Governo dificulta a resolução dessa problemática. Nessa perspectiva, conforme o artigo 196, da Constituição Federal de 1988, o acesso à saúde universal e igualitária é direitos de todos e dever do Estado, contudo essa prerrogativa não é efetuada. Dessarte, segundo o portal de notícias G1, pacientes sofrem com atendimento precário e superlotação do SUS (Sistema Único de Saúde). Logo, irrefutavelmente, a debilidade da saúde pública acarreta em casos de cibercondria, uma vez que efetivar uma pesquisa na internet é mais instantâneo do que esperar em longas filas hospitalares, situação que contradiz o estabelecido na Magna Carta.

Outrossim, é fundamental analisar que a intensa publicidade, através da comunicação de massa, induz cada vez mais a prática do autodiagnóstico e, por conseguinte, estimula o uso de remédios sem prescrição médica. Sob esse ponto de vista, disseminações em redes de informações da popular frase “se persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado” é uma forma de instigar o corpo social para o uso indiscriminado de medicamentos. Por esse ângulo, consoante a teoria do filósofo alemão Theodor Adorno, a indústria cultural está preocupada somente com o lucro e consequentemente, acaba esquecendo do bem-estar da população. Portanto, indubitavelmente, é perceptível o hábito lucrativo da sociedade que não concede, dessa forma a quebra deste paradigma.

Em vista dos fatos elencados, medidas precisam ser tomadas a fim de diminuir as perigosas consequências que essa conduta provoca no indivíduo. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde implementar projetos em hospitais e centros clínicos, por meio de investimentos e programas sociais, como ampliações e contratações de profissionais capacitados, com a finalidade de garantir acesso à saúde de qualidade a sociedade. Ademais, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve criar propagandas nos meios de comunicações que informem os perigos da automedicação, por intermédio de debates e campanhas publicitárias, com o objetivo de anular essa mazela. Desse modo, que não suceda o ocorrido na série norte-americana.