Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 16/09/2020

No seriado “Dr House” são retratadas inúmeras histórias acerca da hipocondria presente em pacientes que chegam ao hospital que, por conseguinte, são medicados com remédios placebos a fim de aliviar seus efeitos de cunho psicológicos. Contudo, fora do universo cinematográfico, a popularização de aparatos tecnológicos com fácil acesso à internet tem corroborado para a emergência de mais uma doença da era digital: cibercondria. Nesse sentido, é indubitável a necessidade de se inviabilizar as causas e efeitos promovidos pela patologia, dentre esses destacam-se: conteúdo médico com teor sensacionalista e a automedicação de substâncias sem prescrição prévia.

Em primeira análise, a disponibilização de conteúdo médico com fácil acesso foi imprescindível na ajuda ao combate de doenças simples e na desmistificação de crenças populares. No entanto, a presença de sensacionalismo existente nas mídias de divulgação de conteúdo científico para leigos apresenta, na maioria das vezes, a capacidade de confundir o público alvo e promover a sensação de estar inserido no grupo de portadores de determinada doença pesquisada. Segundo o filósofo René Descartes, o homem seria facilmente manipulado pelas constantes informações que o cercam, sendo esse, o responsável por diferenciar, racionalmente, informações cuja veracidade é inquestionável. Em suma, devido a alta dificuldade de entendimento de aspectos biológicos, o aumento de casos de cibercondria é reflexo da ausência de visitas regulares a profissionais de saúde que são verdadeiramente aptos a distinguir enfermidades e promover alívio em quem é de tendência ansiosa.

Ademais,  a automedicação é outro fator acerca da problemática, já que, doenças de cunho psicossociais como a hipocondria têm o errôneo hábito de fazer uso de substâncias controladas sem devida prescrição. De acordo com o filósofo Paracelso, a diferença entre o remédio e o veneno está na dosagem. Desse modo, a ingestão indevida de medicamentos que exigem acompanhamento médico, trata-se de uma maneira desesperada de solucionar um problema que, muitas vezes, o indivíduo não possuí e, por conseguinte, torna-se passível ao desenvolvimento de patologias hepáticas já que são metabolizadas pelo fígado.

Assim, levar informação de maneira consciente e promover conteúdo médico de qualidade sem sensacionalismo é o primeiro passo a ser dado em busca de uma população com a saúde física e psíquica em dia. Portanto, é fundamental que o Ministério da Saúde fiscalize a existência de informações exageradas na WEB, por meio de programadores do Google, que possam filtrar principais palavras utilizadas conhecidas por gerar pânico desnecessário nos internautas a fim de tornar a divulgação científica médica segura e, verdadeiramente, eficiente.