Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 19/09/2020
A Terceira Revolução Industrial entrou em vigor na segunda metade do século XX quando houve uma série de descobertas e avanços tecnológicos. No entanto, essa revolução tecnológica possibilitou diversas “facilidades” incluindo as pesquisas rápidas sobre qualquer assunto, incluindo a saúde, que fez com que a população se encontrasse em um quadro de cybercondria, uma vez que o uso da internet colaborou para a automedicação. Isso é dado em razão da falta de informação da população somado a saúde pública precária. Logo, medidas são necessárias para reverter esse cenário.
Em primeira análise, é válido destacar a desinformação dos indivíduos como catalisador dessa problemática. Nesse sentido, o paramédico e físico Paracelso afirma que “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”. Com isso, fica evidente a opinião do paramédico sobre o uso de medicamento sem o auxílio de um médico, mas que hoje em dia é cada vez mais recorrente, sobretudo na facilidade da internet, visto que a população tem preferencia de pesquisar. O que ratifica isso são os dados do Jornal Estadão em que 26% dos brasileiros recorrem primeiro a internet quando sentem algum sintoma. Como substrato disso tem-se quadros de ansiedade e depressão por conta de diagnósticos errados.
Outro fator contribuinte é a falta de qualidade na saúde pública. Com isso, os indivíduos deixam de deixam de fazer a consulta presencial com um profissional qualificado e acabam optando por tratamentos virtuais alternativos. De acordo com Zygmunt Bauman “a internet torna possíveis coisas que antes eram impossíveis. Potencialmente, dá a todos acesso cômodo a uma quantidade indeterminada de informações: hoje, temos o mundo na ponta de um dedo”. De fato, a sociedade se encontra em um momento em que tudo se tornou mais fácil, no entanto com riscos. Logo, não tem como culpar apenas a população de um mal tão grave se o governo não fornece solução adequada para tal problemática: saúde pública de qualidade.
Depreende-se, portanto, que a cybercondria é um mal contemporâneo que urge ser atenuado. Para tanto, cabe a Mídia em parceria com o Ministério da Saúde, informar a população sobre os riscos da automedicação somente com auxílio da internet, por meio de propagandas televisivas que visam expor as consequências de tais atos para a saúde, a fim de informar e conscientizar a população que a melhor alternativa é buscar ajuda de um profissional da saúde. Ademais, é papel do Poder Público melhorar a infraestrutura dos hospitais e postos de saúde, por meio do envio de verbas para municípios em que estejam em situação precária, como regiões interioranas, visando ter um ambiente mais propicio para atendimento à população, e por conseguinte fazendo com que deixem de recorrer a internet e uma nação mais saudável e menos “doentes virtuais”.