Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
“Se tornou aparentemente óbvio que nossa tecnologia excedeu nossa humanidade”, Albert Einstein, cientista alemão. De maneira análoga ao pensamento einsteiniano, percebe-se que a tecnologia excedeu a compreensão humana, posto que a cibercondria - ansiedade induzida como resultante de buscas on-line relacionadas à saúde - torna-se cada vez mais comum na sociedade devido à falta de políticas públicas e visão de um sistema de saúde ineficaz.
Em primeiro momento, é possível entender a falta de políticas públicas como um dos principais estimulantes para a cibercondria. Tal ausência é evidenciada a partir da análise do sistema de saúde brasileiro, que facilita a compra de remédios sem receita, não investe em campanhas sobre os perigos de autodiagnosticar-se e medicar-se, entre outros. De acordo com Aristóteles, filósofo grego, a política tem como função preservar a plenitude entre indivíduos de uma sociedade. Contrariando o filósofo, o Governo, que deveria promover o bem-estar da população, ignora medidas que poderiam, iminentemente, alertar e melhorar a qualidade de vida e saúde dos cidadãos e, consequentemente, diminuir casos da doença da era digital.
Ademais, a visão de um sistema de saúde ineficaz é outro responsável pelos desafios enfrentados. Compreender essa assertiva é reconhecer que a descrença no Sistema Único de Saúde (SUS), devido sua estrutura precária, falta de médicos e medicamentos, e outros, aliada ao medo faz com que a sociedade não procure ajuda profissional quando necessário e busque respostas em outras plataformas. Segundo Zygmunt Bauman, filósofo polonês, não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas. Assim, seguindo o pensamento do polonês, tem-se a crise sanitária do Corona Vírus, que ocasionou diversos comentários negativos sobre a efetivação do SUS e uso de remédios sem receita médica e contraindicados por profissionais, incentivado pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, a fim de encontrar a cura.
É necessário, portanto, ações suficientemente efetivas para combater à cibercondria no Brasil. Deste modo, cabe então ao Ministério da Educação, em parceria com as mídias, investir em campanhas, palestras, entre outras coisas, a fim de alertar sobre os perigos das buscas on-line referentes à saúde. Além disso, é imprescindível que o Governo entenda as necessidades do SUS e, mediante verbas governamentais, invista nos hospitais públicos, fiscalize e crie políticas mais rígidas relacionadas à compra e venda de remédios sem receitas, para que a sociedade entenda a necessidade do acompanhamento médico.