Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 21/09/2020
Durante o movimento Realista, o escritor carioca Machado de Assis apresentava, em suas obras, uma visão negativa e cética acerca da realidade do Brasil. Se analisasse, hoje, a sociedade contemporânea, veria que seu pensamento estava certo, afinal, os entraves em torno da busca por diagnóstico médico se ultrapassada e a internet primordial na determinação de doenças e compra de medicamentos. Entretanto, o uso inconsciente da ferramenta pode induzir o indivíduo ao erro, pela crença falha em possuir determinada doença, de interpretar exames de forma errada e seguir tratamento alternativo.
Em primeiro plano, cabe salientar que muitas pessoas buscam na internet se automedicar. Atesta a existência de uma realidade preocupante, na medica em que se faz presente a partir da era digital, que além de induzir indivíduos ao consumo de grande quantidade de medicamento pela busca idealizada da própria imagem, facilita o contato a demasiados medicamentos. Não há como negar, portanto que e preocupante pois pode evoluir para uma ansiedade e síndrome do pânico.
De modo complementar, deve-se destacar, também, que tem enfermidades que compartilham dos mesmos sintomas, e precisam de exames e um acompanhamento de um medico para um diagnóstico preciso. Nesse contexto, é oportuno resgatar que de acordo com o Estadão, em pesquisa publicada em março de 2019, o índice de brasileiros que buscam o Google como primeira fonte de informação em casos de problemas de saúde já chega próxima ao dos que buscam imediatamente um médico. São 26% que têm o mecanismo de busca como primeira opção, contra 35% que recorrem a um médico.
Destarte, urgem, pois, intervenções pontuais para reverter esse impasse. Inicialmente, cabe ao Governo Federal fazer palestras nas escolas com o pais e alunos com profissionais capacitados no assunto como médicos que visam conscientizar e esclarecer os riscos que a auto-medicação promove a saúde humana. Outrossim, é essencial que o Ministério da Saúde juntamente com as mídias digitais criar campanha nas redes sociais explicando o risco de auto se diagnosticar e de incentivar a procurar um medico ao invés de ir direto as plataformas digitais.