Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 21/09/2020

‘‘Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.’’ A frase de J. Krishnamurti, filósofo indiano, muito tem a ver com as relações entre indivíduo, saúde e a era digital em que todos estão inseridos no limiar do século XXI.É fato que desde os primórdios o homem busca ferramentas para facilitar o seu trabalho, é inegável que os avanços causados pela internet substituíram muitos outros serviços. Nesse contexto,ela  atua como facilitadora, trazendo informações de maneira rápida e de fácil acesso.

Nos últimos anos, observa-se uma tendência crescente de pessoas que usam plataformas de pesquisa  para sanar dúvidas relacionadas à saúde. O acesso às informações disponibilizadas, sem uma orientação profissional, faz com que a pessoa tire conclusões precipitadas e errôneas. Isso causa pânico no indivíduo, e este passa a buscar meios de “se curar”, o que caracteriza a “Cibercondria”. Um desses meios é a automedicação, que, muitas vezes, pode gerar doenças ou agravá-las. De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto de Ciência Tecnologia e qualidade (ICTQ), 70% dos brasileiros realizam a automedicação diariamente.

Esse alto índice de pessoas que se automedicam representa uma grande ameaça a um dos maiores problemas de saúde pública atuais: as superbactérias. Segundo a professora e médica da Universidade de São Paulo (USP), Maria Rita, o uso irresponsável de remédios favorece o aparecimento de bactérias capazes de resistir aos medicamentos. Dados da ANVISA indicam que, em 2012, nas Unidades de Tratamento Intensivo, houve mais de 10.000 casos de pessoas que apresentavam bactérias resistentes no organismo, e esse número tende a crescer.

Em suma,  urge que o Governo Federal através da criação de programas de monitoramento, aumente a fiscalização dos conteúdos publicados na internet, principalmente os conteúdos vinculados a saúde. É importante ainda ,que o Ministério da Saúde crie campanhas publicitárias nas redes sociais que enfatize os prós e contras do mundo virtual, principalmente quando se trata de automedicação.