Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
Após o advento Revolução Tecnológica Científica, inúmeros povos passam por profundas transformações não só econômicas como, principalmente, sociais. Tal legado é incontrovertível no que tange à cibercondria, uma vez que o meio de comunicação virtual atua como um agente construtor da realidade, produzindo e interferindo as percepções humanas. Nesse sentido, os avanços comunicacionais facilitam a busca por informações, todavia podem apresentam resultados imprecisos e falsos, o que é grave. Sob esse ângulo social, a ilusória ideia midiática de placebos “milagrosos”, somada com desigualdade social, fomentam um cenário nefasto.
Antes de tudo, é imperioso salientar a mídia como influente na perpetuação desse revés. De acordo com Adorno e Horkheimer, filósofos da Escola de Frankfurt, os bens de cultura padronizam a forma de pensar, agir, e compreender a realidade, no qual a indústria fabrica valores, desejos e necessidades nos indivíduos. Dessa forma, tal aspecto pode ser claramente exemplificado quando a indústria farmacêutica utilizada os meios comunicacionais, como a televisão e as mídias digitais, para dissipar a ideia de medicamentos, que, em teoria são de baixo custo e altíssima eficiência, mesmo que na prática possam ser prejudiciais a saúde. Em virtude disso, há, como consequência, a alienação social, uma vez que o homem perde sua capacidade crítica e, por conseguinte, acredita que tais placebos possam solucionar qualquer sintoma.
Ressalta-se, ademais a desigualdade social como agravante ao imbróglio. Nesse sentido, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que, no Brasil, 1% da população mais rica concentra 28,3% da renda total do país. Isso significa que a maior parte dos indivíduos carecem de recursos financeiros para recorrer a um tratamento médico na rede privada. Assim, o contingente demográfico, sobretudo a parcela mais marginalizada, utiliza a pesquisa virtual como uma forma de remediar seus enfermos, uma vez que o SUS tem longas filas de consulta. Dessa forma, percebe-se uma das causas do problema, que deve ser intermediada à luz do Ordenamento Jurídico Brasileiro.
Dessarte, é evidente que tais entraves precisam ser solucionados. Portanto, é mister que o Ministério da Saúde, instância máxima da saúde brasileira, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, crie um aplicativo para celulares denominado “Meu Sintoma”, no qual de forma simples e objetiva explicará ao paciente a gravidade dos sintomas e se é necessário procurar qualquer tipo de auxílio médico. Nessa ação, é indispensável a elaboração de um site que ira contar com consultas virtuais por meio de vídeochamadas, no qual será possível encaminhar o enfermo para o posto de saúde mais próximo. Nesse sentido, o fito dessas ações é consolidar uma saúde digna à todos.