Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 21/09/2020
Com a Terceira Revolução Industrial, houve o advento da Internet, meio de comunicação que tornou possível que a população tenha acesso às informações de maneira rápida e diversificada. Porém, tal acessibilidade contribuiu para o surgimento da cibercondria, ou seja, uma doença na qual o indivíduo tem a necessidade constante de obter um esclarecimento acerca do estado de saúde por meio de fontes de pesquisas on-line. Ademais, os casos dessa patologia tem causado grandes impactos para a sociedade seja pelo autodiagnóstico ou pelo uso indiscriminado de medicamentos.
Em primeira análise, segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea vive de maneira líquida, ou seja, as relações, os ideais são estabelecidos de maneira momentânea e inesperada. Ao seguir essa linha de pensamento, os indivíduos possuem um estilo de vida com constantes tarefas e com falta de tempo. Assim, são atraídos a busca de questionamentos de uma maneira mais rápida e cômoda, sem necessitar ir ao médico procuram respostas em sites do Google. Por consequência, diagnósticos são interpretados de maneira errada, podendo ser ocultos os sintomas de uma doença mais grave, dificultando o tratamento.
Outrossim, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ITQ) cerca de 77% dos brasileiros fazem o uso de medicação com o auxílio da Internet. Esses dados são em virtude de somente uma pequena parcela da população serem beneficiários de planos de assistência médica e o país ter um sistema básico de saúde precário. Como resultado, além de causar dependência, alergias e até o agravamento dos sintomas ao indivíduo, contribuirá para a superlotação do sistema público de saúde com casos de intoxicações.
Logo, o Ministério da Saúde (MS) deve investir em tecnologias, por meio da criação de uma plataforma digital, na qual os médicos possam diagnosticar e receitar os medicamentos adequados, a fim de que haja uma maior demanda de atendimentos e que todos os cidadãos tenham acesso à saúde de qualidade. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o MS, promova debates e palestras de forma mensal sobre os impactos da cibercondria, por meio das disciplinas de biologia e química, com intuito de que haja a formação de cidadãos conscientes.