Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
A obra “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, representa uma figura espantada diante de algo de lhe parece oferecer insegurança. Apesar de metafórico, percebe-se que, no Brasil, a reação do personagem pode ser aplicada a doença da era digital: Cibercondria, já que é assombroso que a sociedade não reconheça a seriedade de tal problemática. Com efeito, evidencia-se a necessidade de mudar hábitos e costumes da população brasileira acerca das causas e consequências dessa doença.
O termo “cibercondria” veio para unir a modernidade com a hipocondria, que é o grande medo não realista que alguns indivíduos manifestam de ter algum sintoma ou condição de saúde que pode ameaçar a vida deles, mas que ainda não foi diagnosticada. A facilidade de acesso e a grande qualidade de informações disponíveis, influenciam as pessoas a acreditarem na internet e acabam se preocupando com a possibilidade de terem alguma coisa terminal. O maior problema é que essas pesquisas podem gerar ansiedade e o medo desnecessário nas pessoas. Diante disso, quando elas procuram algum profissional da saúde, tendem duvidar do médico se o resultado for diferente daquele apresentado na internet.
Além disso, outro agravante para essa problemática é a automedicação. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, a automedicação é feita por 77% dos brasileiros. A maioria dos indivíduos não tiveram a educação adequada para esse tipo de situação, e ignoram o fato de que em alguns casos, a mediação errada pode ter como consequência um maior risco para a saúde pessoal.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. O Estado deve investir na formação dos futuros docentes, criando novas maneiras de discutirem sobre essa doença da era digital. É preciso também um acompanhamento psicológico, para que a pessoa entenda que muitos sintomas estão associados a diversas doenças diferentes e que não necessariamente ela possui as mesmas. Dessa forma, será possível garantir uma formação que, de fato, promove a plena construção de conhecimentos. Só então o país será um lugar que zela pelo bem estar do indivíduo.