Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

Na obra ‘‘Utopia’’, escrita por Thomas More, é retratada uma sociedade ideal e padronizada pela ausência de adversidades. Diferentemente da produção cinematográfica, percebe-se, evidentemente, que na contemporaneidade existe uma situação recorrente cibercondria que é vista também como a “tendência de o usuário acreditar que tem todas as doenças sobre as quais leu na internet”. Salienta-se, então, que esse cenário antagônico é fruto da falta de justiça e do individualismo latente do mais hodierno. Nesse contexto, torna-se fundamental a superação desses desafios a fim do pleno funcionamento íntegro da coletividade.

O primeiro aspecto a ser considerado é o uso de redes sociais, que apresenta íntima relação com a existência desse transtorno. Consoante Zygmunt Bauman, filósofo polonês, “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente a morte.”. Nessa concepção, é indispensável expor a origem da problemática de modo a dar visibilidade haja vista que provoca, por conseguinte, a influência no uso de medicamentos auto recomendados. É preciso, dessa maneira, um maior enfoque ao problema para que seja possível obter resoluções que venham reverter esse quadro.

Além disso, convém frisar que a manutenção desse entrave promove inúmeras consequências aos indivíduos em virtude do anseio de terminar uma ansiedade pessoal, aliado ao comodismo . Comprova-se isso ao recorrer a perspectiva da filósofa Hannah Arendt, em “Banalidade do mal”, ao afirmar que, em razão do processo de massificação, as pessoas perderam a capacidade de distinguir o certo do errado, tornando-se, cada vez mais, alienadas. Essa ideia se materializa na indiferença do corpo social, por conseguinte, aos efeitos colaterais da automedicação e desconfiança nos profissionais da saúde. Afinal, ao seguir essa linha de pensamento, fica evidente a carência de uma intervenção eficiente para mitigar o problema.

Dado o exposto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática no Brasil. Assim, com o intuito de mitigar a impunidade, é imprescindível que o Ministério da educação, com o apoio das mídias digitais e da família, estimule a conscientização da influência que as redes sociais e seus seguidores podem causar na vida pessoal, por meio da criação de propagandas publicitárias e conscientização no ambiente familiar, com objetivo de manter e garantir a saúde em todos os âmbitos. Ademais, faz-se premente que as instituições de ensino promovam conteúdos educativos - tais como aulas que abordem o uso de redes sociais e a automedicação -, com vistas à conscientização da população sobre a cibercondria e seus aliados. Apenas desse modo será possível atingir a funcionalidade total do corpo social tal qual na obra “Utopia”.