Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 21/09/2020

A internet trouxe vários benefícios à humanidade, informação sobre quase tudo, incluindo temas relacionados a saúde, e esse último fez surgir no meio digital, uma patologia que não se trata de vícios em redes sociais, mas sim de automedicações descontroladas baseadas em mares de pesquisas no google, por exemplo, tal fenômeno apelidado de cibercondria, o qual pode ocasionar doenças de porte físico e mental. Atualmente, o Brasil é o país onde o índice de pessoas que sofrem com a ansiedade é elevado o que resulta na necessidade de informações sobre supostos problemas, porém essas informações não são adquiridas da maneira correta, ou seja, ao invés de procurar ajuda de um especialista, optam pela internet na qual desenvolve a cibercondria.

‘‘Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.’’ - A frase de J. Krishnamurti, filósofo indiano, muito tem a ver com as relações entre indivíduo, saúde e a era digital em que todos estão inseridos no limiar do século XXI. Nesse sentido, a problemática da cibercondria, prática que leva o indivíduo a realizar um autodiagnóstico com a ajuda da internet, lamentavelmente perceptível no cotidiano, instiga a sociedade a refletir sobre os desafios do combate à questão. Dessa forma, a internet amplia o já perigoso conceito de ‘‘automedicação’’ para algo tão nocivo quanto: a possibilidade de qualquer sujeito exercer o papel de um especialista da saúde. Segundo a matéria do portal UOL de abril de 2018, 37% dos brasileiros que utilizam a rede ter pesquisado sintomas e, como resultado, ter chegado a doenças que já suspeitavam ter adquirido no momento.

É nítido que a cibercondria é potencializada pelo ritmo veloz do mundo contemporâneo, que afeta vários aspectos da vida do indivíduo, entre eles, a forma como o mesmo lida com a própria saúde. Desse modo, por questões de falta de tempo ou até mesmo medo, o sujeito vê na internet uma saída rápida, uma espécie de consulta instantânea. Sob esse aspecto, Zygmunt Bauman diz: ‘‘A administração da vida afasta o homem da reflexão sobre o que é moral e saudável’’. Dessa maneira, constata-se que a vivência contemporânea deixa a desejar em qualidade de vida e autocuidado. É notável que, cada vez mais, as pessoas tendem a seguir recomendações da internet, criando uma sociedade que sigam receitas muitas vezes inconsistentes. Visto que, através da medicação sem receita, pode adquirir problemas sérios, criando uma relação de dependência.

Em suma, é notória a importância de criar lei que vise proteger os usuários, proibindo a circulação de instruções para a medicação, sem receitas médicas, afim de deixe de impulsionar tais costumes. Por intermédio do Ministério da Saúde em parceria com a Policia Federal, podem contemplar com a criação de um site oficial que denuncie sites que trazem informações equivocadas e diminuindo doenças.