Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

A hipocondria refere-se à uma doença marcada por transtornos de ansiedade relacionados a doenças: o paciente acredita que possui determinada enfermidade (mesmo sem um diagnóstico) e/ou passa e a se automedicar, crente que ficará “curado” de seus sintomas ou imune ao adoecimento. Na era digital, esse mal está intimamente relacionado à facilidade de admissão do conhecimento, provocada pelo surgimento da Internet: é a chamada “Cibercondria”. Se, antes, o Brasil já era conhecido pela automedicação, com o advento das redes o país passou a ter um aumento no número de hipocondríacos, causado pelo acesso facilitado à informação na Web. Tal situação tem como consequência a deterioração da imagem do médico, que é deixado em segundo plano.

A priori, há de se destacar que a facilidade ao encontrar conteúdo na Internet faz com que o indivíduo procure, antes de tudo, seus sintomas na rede, muitas vezes em sites duvidosos. Com isso, o paciente acredita essencialmente no que encontra on-line e faz seu próprio diagnóstico, sem ao menos consultar o médico. Cerca de 70 mil pesquisas relativas à saúde são feitas no Google por minuto, segundo estimativas da empresa, e, de acordo com a autora de um estudo da Edith Cowan University (da Austrália), em entrevista ao EurekAlert, Michella Hill, na maioria das vezes esses resultados não são confiáveis, já que nem ao menos analisam o histórico do paciente. Logo, a situação provoca um estado de ansiedade desnecessária ao indivíduo, que, geralmente, acredita estar com doenças graves e passa a buscar a automedicação (torna-se hipocondríaco), como explica a psiquiatra Maria de Fátima Vasconcelos, no programa Ligado em Saúde.

Em segundo lugar, esse contexto – em que o indivíduo busca por atendimento on-line, ao invés de presencial em clínicas – deteriora a imagem do médico. De acordo com a pesquisa “Jornada Digital do Paciente”, realizada pelo Minha Vida, quase 80% dos entrevistados afirmaram pesquisar, em sites, informações sobre saúde antes e depois de uma consulta médica. Tal atitude demonstra a desconfiança dos pacientes com os especialistas, como conta a nutricionista Roseane Vieira, em entrevista ao jornal Extra, que afirma que o indivíduo não se contenta apenas com as informações passadas pelo médico.

Depreende-se, portanto, a necessidade de conscientizar a população acerca da importância de ir ao médico e não acreditar apenas em informações da Internet. Para isso, é preciso que o Governo ensine as pessoas a encontrar dados de qualidade sobre saúde  na rede, por meio da adequação da base curricular – adicionando matérias destinadas à educação na Web, com táticas para encontrar  boa informação on-line – , e demonstre a essencialidade da consulta médica, por meio de propagandas e conscientização nas escolas. Tais medidas objetivam diminuir o total de hipocondríacos na Era Digital.