Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
Na década de 90, o fundador da Microsoft, Bill Gates, fez uma série de previsões em relação aos avanços maravilhosos da tecnologia. Dentre elas, o visionário afirmou que os computadores serviriam com uma grande forma de conectar as pessoas de diversas regiões do planeta criando um grande aglomerado de informação. Contudo, essa grande rede da era digital trouxe consigo diversas complicações para os usuários inconscientes, como o aumento dos casos de hipocondria que acarretaram num crescimento de diversas complicações. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
Num primeiro momento, pode-se observar que o fácil acesso a medicamentos, no Brasil, torna-se um grande agravante para a problemática, uma vez que muitos indivíduos, quando se sentem acometidos por alguma enfermidade, recorrem a sites na web para se diagnosticar, e tomando como verdade o que é dito nos artigos, correm para as drogarias em busca tratamentos inadequados sem consultar médicos ou até mesmo os farmacêuticos. Para o cardiologista Marco Vinícius Gaz, “Qualquer pessoa pode comprar um analgésico no balcão da farmácia como se fosse um chiclete.” Dessa forma, é possível observar um sentimento de dúvida em relação à capacitação dos profissionais da área da saúde.
Ademais, percebe-se que a grande comodidade proporcionada pelo Dr. Google o que acarreta numa alta dos autodiagnósticos e consequentemente da automedicação, que segundo o ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico), em uma pesquisa feita em setembro de 2018, é praticada por mais de 70% dos brasileiros com mais de 16 anos. A falha dos cibercondríacos dessa vez é a falta e negligência em relação ao conhecimento e informação, que em muitos casos não param para analisar que um mesmo sintoma pode estar associado a várias doenças, buscando o procedimento inadequado para solucionar seu problema.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para solucionar esse problema. Em primeiro lugar, é necessário que o Ministério da Saúde juntamente com as mídias televisivas, busquem facilitar o acesso a informação por meio de campanhas publicitárias e documentários que demonstrem os riscos do autodiagnóstico, a fim de diminuir os casos de automedicação presentes na população. Outrossim, é de suma importância que as instituições de ensino promovam palestras e debates com os alunos abordando temas relacionados com a hipo e cibercondria, acarretando numa queda desses problemas. Dessa maneira será possível desenvolver o uso seguro e favorável para todos os usuários da grande rede de informação, assim como previsto por Gates.