Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
No livro de Jan Terlouw “Sete desafios para ser rei”, os moradores de Ingenuinópolis, quando ficavam doentes devido a picada de uma certa mosca, recorriam aos Taras, nos quais confiavam cegamente. Entretanto, eles eram falsos médicos que enganavam a cidade e causaram grandes prejuízos à população. Analogamente, a realidade - sobretudo a brasileira – apresenta um paralelo à situação mostrada no livro relacionado ao mundo tecnológico: a Cibercondria - hipocondria e ansiedade causadas pelo autodiagnostico baseado em buscas na internet. Nesse âmbito, pode-se considerar como fatores que agravam a problema a deficiência do serviço público e cultura do imediatismo.
É valido destacar, a priori, que a ineficiência das ações governamentais está estritamente ligada à ocorrência de episódios relacionados à Cibercondria. Assim, a falta de médicos disponíveis nos postos de saúde e hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) leva os indivíduos, em geral mais pobres, a se consultar no que é vulgarmente chamado de “Dr. Google”. Essa base de dados que a Internet oferece, apesar de ser extremamente útil, não é precisa e não consegue analisar individualmente cada caso. De acordo com uma publicação apresentada na AMIA Simpósio Anual em 2009, essa situação acaba fazendo com que a pessoa tenha sua própria interpretação da situação. Isso pode criar a percepção e sensação de possuir doenças que na realidade não possui, além de gerar pânico.
Atrelado a esse contexto, pode-se citar como fatores que provocam a problemática em questão o imediatismo (em uma sociedade que está sempre necessitada de saber o que está acontecendo no momento) juntamente a um mal do século XXI, o transtorno de ansiedade. Segundo a IMS Health, foram comercializados aproximadamente 23 milhões de caixas de medicamentos controlados para ansiedade só em 2015. Esse número exuberante é, entre outros fatores, consequência dos adventos tecnológicos e a constante conexão da população ao meio digital. Ainda seguindo o que foi apresentado na AMIA Simpósio Anual, 40% das 500 pessoas que participaram de uma de suas pesquisas tiveram seus casos de ansiedade aumentados por conta desse tipo de interação com a Web. Conclui-se, dessa forma, que a Cibercondria é uma conjuntura que afeta toda o corpo social negativamente.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para que o entrave discorrido seja coibido. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde fazer parcerias com canais midiáticos que possam divulgar melhores informações sobre o fenômeno “Dr. Google”. A ideia é que por meio de propagandas diversas (vídeos explicativos, por exemplo) o governo possa alertar a sociedade sobre os perigos de se autodiagnosticar e medicar, assim criar-se-á, ao longo dos anos, uma população que compreenda melhor como cuidar de sua saúde corretamente.