Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

A revolta da vacina, durante a república velha, é caracterizada pela revolta da população contra a vacinação obrigatória, oriunda de uma precária educação fornecida pelo Estado no tocante à saúde. Tal malefício advindo da falta de informação ainda é presente no mundo hodierno, evidenciado nas mais diversas formas de atitudes cotidianas, como a automedicação e a cibercondria, isto é, o indivíduo passa a utilizar as indicações médicas na internet para tratar seus sintomas sem um acompanhamento profissional e acaba agravando o quadro de sua própria saúde, seja pela falta de acesso a medicação de qualidade, seja pela proporção que algumas informações adquirem na internet, o problema permanece agravando a qualidade de vida do brasileiro.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que as péssimas condições de saúde no brasil se tornam agravantes para a problemática, visto que as pessoas subutilizam o sistema vigente no tratamento de doenças. Nessa perspectiva, cabe destacar as inúmeras faltas com a higidez da população como no alto custo de um plano de saúde, nas longas filas dos hospitais públicos, ou na dificuldade de acesso presencial aos postos saúde. Desse modo, o autodiagnostico passa a ser realizado com mais frequência, segundo o Conselho Federal de Farmácia cerca de 77% dos brasileiros praticam a ação da automedicação, evidenciando a dificuldade em obter laudos de autoria e profissionalidade no Brasil.

Em segundo lugar, é imperiosa a análise acerca da publicidade líquida na internet, ou seja, as constantes publicações realizadas a todo o momento sobre diferentes assuntos, que se espalham rapidamente e interferem na vida das pessoas. Nesse âmbito, é possível estabelecer uma relação entre a frase do ministro de publicidade de Adolf Hitler, “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” com as “Fake News”, visto que a divulgação de notícias falsas vem ganhando notoriedade e interferem na interpretação de recursos essenciais para a saúde do individuo. Dessa forma, é notório que medidas sejam tomadas em relação a propagação das “Fake News” na internet, uma vez que impactam negativamente na qualidade de vida da população.

Fica claro, portanto, os empecilhos para a obtenção de um tratamento de doenças digno no brasil. Dessa maneira, cabe ao governo, como órgão responsável pelo bem-estar dos cidadãos, investir no setor da saúde, por meio da inserção de médicos especializados, bem como o acesso a uma profilaxia de autoridade e confiança, a fim de garantir o direito de uma vida saudável a toda população. Além disso, cabe as instituições públicas, criar na internet sites destinados a obtenção de uma informação segura e especializada, para que a propagação de boatos não interfiram na saúde das demais pessoas na sociedade.