Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante uma nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercondria torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela ineficácia das fiscalizações públicas no meio virtual, seja pela automedicação, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que a inoperância das fiscalizações no meio virtual leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante à baixa atuação dos setores governamentais, o cidadão fica à mercê da própria sorte. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.), qualquer país só evoluirá quando houver políticas públicas eficazes para combater os problemas sociais. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente à cibercondria persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.
Outrossim, vale ressaltar os problemas de automedicar-se que são severos e preocupantes. A partir de pesquisas na internet, o usuário acaba encontrando doenças com os mesmos sintomas que o seu e assim se medicando por conta própria, sem antes passar por uma avaliação médica, provocando consequências tanto físicas, como psicológicas. De acordo com pesquisa do ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico) aproximadamente 80% dos brasileiros com mais de 16 anos se automedica. Com isso, diagnósticos mal interpretados e automedicação configuram-se como principais causas para além de maximizar doenças, dificultar seu tratamento.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Para isso, cabe ao Ministério da saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, desenvolver projetos e campanhas para alertar os cidadões sobre os riscos do diagnóstico online e da automedicação, por meios televisivos e publicitários. Por fim, o Governo Federal deve ampliar o acesso da população à saúde por meio de mutirões de saúde e melhora da rede básica, visando ao bem-estar dos seus cidadãos. Desse modo, será possível reduzir os casos de cibercondria.