Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

No final do século XX, o espaço geográfico passou de técnico-científico para técnico-científico-informacional, de acordo com o geógrafo Milton Santos. Isso significa que, com o advento da internet, a informação passou a ter papel preponderante na vida das pessoas. Contudo, o mau uso dessa ferramenta pode ser prejudicial, como no caso em que pessoas buscam resolver questões relacionadas à saúde pelo mundo virtual. Esse hábito pode se transformar em uma doença denominada “Cibercondria” e agravar a questão das superbactérias na sociedade.

Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de educação digital e em saúde nas escolas brasileiras esteja entre as causas da disseminação dessa patologia moderna. De acordo com Hannah Arendt, filósofa alemã, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, o mal insere-se pela irreflexão daqueles que o praticam. Seguindo essa linha de pensamento, as instituições de ensino e as mídias, ao não exporem para os seus discentes e para a população o uso adequado das informações digitais, como a filtragem dos conteúdos de saúde da rede, possibilitam a manutenção da irreflexão social quanto aos impactos que o excesso de informações sobre doenças e medicações provocam em seus comportamentos. Isso estimula o medo patológico às doença, cibercondria, e a automedicação.

Em contrapartida, nem tudo se baseia nos benefícios. O indivíduo cibercôndrico no ato é exposto a uma série de problemas, uma vez que por má-interpretação pode deixar de lado problemas graves ou preocupar-se demasiadamente com simples viroses, o que pode levá-lo à ansiedade e a posterior automedicação. Ademais, um pífio sintoma é responsável por uma extensa lista de assuntos relacionados, o que dificulta para a pessoa saber o grau de veracidade das informações com a qual está se lidando.

Portanto, é mister que o estado tome providências para atenuar esse cenário. Para conscientizar a população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que enfatize os prós e contras do mundo virtual, principalmente quando se trata de automedicação. É importante ainda, que o Governo Federal através da criação de programas de monitoramento, aumente a fiscalização dos conteúdos publicados na internet, principalmente os conteúdos vinculados a saúde. Com isso a sociedade evolui e expectativa de vida acompanha a evolução.