Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

Sabe-se que a informação sobre saúde e doença se tornou mais disponível e de fácil acesso, desde que a internet se tornou algo essencial em todos os lares. Para muitas pessoas, particularmente para aquelas que vivem com doenças crônicas, a internet pode ser uma ferramenta extremamente útil. No entanto, a obtenção de informações muito detalhadas sobre doenças, algumas delas com gravidade, pode agravar o estado das pessoas com ansiedade e dar lugar a uma nova condição: a cibercondria. Vale ressaltar que, tal doença possui problemáticas como a facilidade de pesquisa e compra de remédios, associada à automedicação.

É incontestável que a falta de hospitais e médicos, aliada a atrasos principalmente devido à saúde pública, favorecem a automedicação. Em razão disso e em virtude do cômodo fornecido pela internet, as pessoas pesquisam erroneamente em sites, de forma rápida e fácil, para encontrar sintomas e tratamentos que normalmente não correspondem às suas doenças reais. De acordo com uma pesquisa feita pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), no Brasil,  a automedicação é um hábito comum a 77%  dos brasileiros.

Além disso, tem-se facilidade em comprar medicamentos graças  a comodidade de consumir algo pesquisado na internet. O uso indevido de medicamentos pode mascarar e agravar doenças, causando diversos malefícios à saúde. Mesmo os remédios comprados sem receita médica podem apresentar efeitos colaterais. De acordo com a OMS, em todo mundo, 50% dos pacientes tomam medicamentos de forma incorreta.

Dado o exposto, é mister que o Ministério da Saúde (MS) promova, através de verbas governamentais, campanhas publicitárias de modo a estimular a procura de médicos e alertar os cidadãos sobre os riscos à saúde, além de orientar a população a desenvolver o hábito de tomar apenas medicamentos prescritos.  Ademais, que seja promulgada leis mais rígidas para limitar a venda de medicamentos em farmácias, sendo  possível remediar esse fato.