Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, entende-se que a cibercondria é um problema em questão na atualidade. Assim, é necessário analisar que seja pelo fácil acesso aos meios de pesquisa digital, ou então, pela utilização equivocada de fármacos, o entrave vem silenciosamente se agravando e precisa de métodos para seu combate.

Primeiramente, cabe ressaltar que a difusão dos aparelhos eletrônicos ajudou no agravamento da situação. Isso ocorre, pois os usuários tendem a pesquisar os sintomas que estão sentindo não considerando o fato de que um mesmo sintoma pode ser encontrado em diversas doenças, causando medo de forma desnecessária, ou até mesmo tirando o alerta de uma possível doença grave. Sendo assim, as ferramentas de busca on-line facilitam a procura por respostas imediatas, mesmo que não tenham respaldo técnico-científico, sendo um fator contribuinte à realidade discutida.

Em segundo lugar, o acesso prático aos remédios auxilia no prolongamento da problemática. Nesse sentido, o paciente tende a tentar combater a enfermidade que equivocadamente descobriu na internet, e para isso usa as medicações, mesmo sem ter passado pela avaliação de um profissional da saúde. Segundo o Conselho Federal de Farmácia mais de 70% dos brasileiros pratica a automedicação, pondo em risco sua saúde. Então, percebe-se que o uso inadequado de medicamentos sem prescrição médica auxilia o agravamento da cibercondria.

Em suma, o problema existe e necessita de solução. Deste modo, cabe ao Governo, através do Ministério da Saúde, trabalhar na conscientização da população sobre o uso correto dos remédios – e a importância da presença do especialista durante a prescrição de tal – a partir de campanhas publicitárias e atividades recreativas em centros de saúde, com o objetivo de esclarecer a função de um médico frente a utilização de uma droga e os riscos do seu uso inadequado. Portanto, poder-se-á atenuar a problemática atual próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.