Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 24/09/2020

Com o advento da Globalização, ficou cada vez mais comum o acesso à internet, facilitando a busca por informações de diversos assuntos. Contudo, qualquer indivíduo pode publicar conteúdos sem comprovações científicas no ciberespaço, propagando as chamadas “fake news”, e convencendo erroneamente pessoas que procuram online um diagnóstico médico sobre seu estado enfermo atual, sem antes procurar um profissional da saúde.  Logo, faz-se necessário analisar as consequências da cibercondria.

Primeiramente, de acordo com uma pesquisa feita pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), 77% dos brasileiros se automedicam. Tal cenário, ligado à pesquisa online e ao fato de algumas farmácias, com o intuito de obter lucro, venderem medicamentos mesmo sem prescrição médica, podem gerar complicações ainda piores na vida do indivíduo, visto que tal diagnóstico pode ter sido precipitado devido a ocorrência de várias doenças com os mesmos sintomas, e com isso, os remédios causarem efeitos contrários. Assim, nota-se que não procurar o tratamento adequado é capaz de provocar um cenário ainda mais agravante no estado enfermo da pessoa, que, se perpetuada na contínua pesquisa na internet, pode ir a óbito.

Ademais, é notório que o pouco investimento na saúde pública brasileira também contribui para a cibercondria. Muitas pessoas, que não tem condição de recorrer a um plano particular, sofrem com a demora para marcar uma consulta, a falta de profissionais qualificados e as filas de atendimento nas redes de saúde pública. Portanto, evidencia-se que, os resultados de uma pesquisa rápida indicando a suposta doença que tal indivíduo possui, torna-se mais cômoda do que a ida ao médico.

Em suma, conclui-se que a cibercondria, além de não melhorar o estado atual do adoentado, pode ainda piorá-lo. Então, cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas publicitárias, por meio de outdoors e publicações nas redes sociais, abordando as consequências de não aderir a um diagnóstico médico e a importância de tal ação, bem como um maior investimento na saúde pública, para que as pessoas se cuidem melhor.