Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 24/09/2020
‘‘Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente’’, disse o filósofo indiano, Jiddu Krishnamurti, fazendo associação à relação existente entre a saúde, o indivíduo e a era digital que todos estão inseridos. A internet é a invenção tecnológica mais avançada e traz consigo seus benefícios, como o acesso a informações, e também seus malefícios, a cibercondria. Essa prática leva o indivíduo a pesquisar seus sintomas na internet, levando-o ao autodiagnóstico. É possível afirmar que o Estado, e sua ineficiência administrativa, juntamente com o excesso de consultas virtuais, contribuem para a persistência desse problema na sociedade.
Primeiramente, é válido ressaltar que o Governo não está isento de culpa quando o assunto é cibercondria. Por esse ângulo, um governo que é escasso de investimentos em políticas que facilitam o acesso à saúde pública, e médicos especialistas é, por sua vez, um dos maiores fatores da automedicação. Desta maneira, com a dificuldade de se realizar uma consulta no Sistema Único de Saúde, grande parte da população recorre ao “Dr. Google” ou a consultas virtuais. Tendo assim, um diagnóstico amador e impreciso que acabam por colocar sua saúde em risco.
Em segundo plano, como mencionado anteriormente, destaca-se a medicina virtual, que pode se tornar um incentivo para a cibercondria, quando em excesso, pois muitas vezes as pessoas buscam informações simples e práticas. Pesquisa realizada com exclusividade pelo Estado mostra que 26% da população brasileira usa a internet principalmente quando encontra problemas de saúde. Logo, não é viável a persistência desse problema, pois pode interferir no desenvolvimento socioeconômico.
Faz-se evidente, que medidas sejam tomadas para resolver essas circunstâncias. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Saúde crie campanha de combate à cibercondria, contendo médicos sempre disponíveis nos postos de saúde. Tal campanha deve incluir realizações de atividades físicas em escolas, incentivando o contato do público com os profissionais de saúde e diminuindo as buscas na internet.