Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/09/2020

“A tecnologia move o mundo.” Essa frase de Steve Jobs, empresário e inventor americano do setor de informática, revela como a tecnologia é benéfica para a sociedade moderna. No entanto, alguns fatores permitem que seja prejudicial em determinados pontos, entre eles está a cibercondria, patologia que consiste na automedicação a partir de dados disponibilizados pela internet, fato que traz consequências negativas para a saúde individual e coletiva.

Em primeiro plano, vale destacar que o mundo online possibilitou a formação de um mundo globalizado e conectado, em que conhecer qualquer assunto é possível com apenas alguns cliques. No entanto, essa alternativa de pesquisa tornou-se prática e prejudicial, se usada de forma inadequada. Um exemplo disso é a questão da cibercondria, em que muitos indivíduos descartam os conselhos médicos quando têm problemas de saúde e usam a internet para tirar todas as suas dúvidas. Desta forma, os cidadãos digitam alguns dos seus sintomas nos motores de busca e adquirem várias abordagens aos tratamentos e medicamentos. Porém, muitas vezes, tais concepções podem ser equivocadas ou inadequadas ao caso real do paciente, pois, para um diagnóstico detalhado, é necessário acompanhamento profissional com exames médicos. Tal fato é cada vez mais recorrente na realidade contemporânea, o que pode gerar diversos impactos e efeitos negativos na saúde humana.

Em segundo lugar, as sugestões de medicamentos ou tratamentos alternativos induzem o indivíduo a obter certas substâncias. Paralelamente, a compra e venda indiscriminada de medicamentos nas farmácias contribui para aumentar a proporção do problema, já que comprimidos para gripe, dor de cabeça e até vermes intestinais costumam ser vendidos sem receita. Além disso, para grande parte da população, é mais barato, fácil e rápido aceitar as soluções propostas pela internet. Este fato é pertinente ao se analisar a grande quantidade de receitas caseiras e tutoriais sobre como fazer chás para curar com rapidez e simplicidade que estão presentes neste cenário. Assim, o cidadão não procura um profissional de saúde para fazer exames e fazer o tratamento de maneira correta, preferindo consumir o que está sendo discutido na internet. Como resultado, isso pode não ter um efeito em assumir riscos e até mesmo piorar seu caso.

Portanto, a cibercondria é prejudicial ao bem-estar dos indivíduos. Cabe ao Ministério da Saúde proibir e fiscalizar a compra e venda de medicamentos sem receita. Além disso, deve, em conjunto com os meios de comunicação, promover anúncios de forma apelativa que evidenciem os perigos de se acreditar em tudo na Internet sem acompanhamento profissional. Assim o problema será mitigado, contribuindo para o bem comum da sociedade.