Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 22/09/2020
“A tecnologia move o mundo.” Essa frase de Steve Jobs, empresário e inventor americano no setor da informática, revela o quanto a tecnologia é benéfica para a sociedade atual. Entretanto, ela também pode trazer alguns problemas, dentre eles está a Cibercondria, que é o medo exagerado e irreal que algumas pessoas manifestam de ter algum sintoma ou condição de saúde que pode ameaçar a vida delas, mas que ainda não foi diagnosticada. Tal fato está cada dia mais aparente e pode trazer graves consequências.
A priori, a superlotação de hospitais e a falta de profissionais especializados faz com que as pessoas acabem optando pela comodidade e se consultam apenas pela internet e muitas vezes iniciam um tratamento para uma doença que podem nem apresentar de verdade. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia a automedicação é feita por cerca de 77% dos brasileiros, o que pode levar a uma séria intoxicação e até a depressão.
O sociólogo Zygmunt Bauman afirmava que a internet tem a capacidade de potencializar diversos problemas na sociedade devido a sua grande eficiência de se propagar por diversas tribos na sociedade globalizada. Isto se põe à prova quando se analisa a falta de divulgação dos malefícios da automedicação, aliada com a grande publicidade dos remédios no meio digital que favorece o quadro dessa moderna hipocondria, já que a todo momento internautas estão sendo expostos a remédios em redes sociais, como Instagram e Facebook, que prometem resultados milagrosos.
Em virtude dos fatos mencionados, é imprescindível que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, posts e campanhas nas redes sociais e até em farmácias e em postos de saúde que detalhem os malefícios da automedicação pela internet. Ademais, é indispensável que o Estado forneça maiores verbas para hospitais a fim de que tenha espaço e atendimento para todos os pacientes. Por fim, se fazem necessárias legislações mais restritivas sobre o comércio de remédios nas farmácias. Desse modo será possível fazer com que as pessoas parem de acreditar em tudo o que leem na internet e comecem a se consultar com um real profissional da área.