Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 27/09/2020

Cibercondria é a junção dos termos “ciber” - refere-se à tecnologia - e  “condria” - que significa desordem obsessiva - . Trata-se de um tipo de comportamento em que pessoas passam a tirar conclusões precipitadas e pouco embasadas relacionadas à saúde, a partir de buscas rápidas na internet. Tal doença causa graves impactos, visto que, pode levar ao chamado “fenômeno Dr. Google” e à automedicação. Sendo assim, se faz necessário a discussão acerca deste tema que traz tantos riscos à saúde populacional.

Primeiramente, é preciso ressaltar que a busca por assuntos médicos na internet tem sofrido um brusco aumento com o passar dos anos, e a população brasileira é responsável por grande parte destes números. Tal fato é comprovado por um levantamento feito pelo Estado dizendo que “são 26% da população que têm o mecanismo de busca - Google - como primeira opção. Esta facilidade em acessar este tipo de informação contribui para os diagnósticos errôneos e precipitados colocando em risco a saúde dos cidadãos, visto que, preferem se consultar com o famoso “Dr. Google” ao ir em um especialista da área médica.

Ademais, a necessidade de uma solução imediata e a curiosidade fazem com que o uso de medicamentos não prescritos seja frequente. A concepção de que a farmácia é um local no qual se vende qualquer medicamento e a facilidade de se encontrar tais remédios, levam a população à automedicar-se. Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio do Instituto Datafolha, constatou que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros. Este número é alarmante, uma vez que pode desencadear diversos efeitos colaterais e até mesmo levar ao desenvolvimento de outro tipo de doença.

Em virtude do que foi mencionado, a Organização Mundial da Saúde (OMS), deve investir em tecnologias, desenvolvendo uma plataforma confiável em que médicos capacitados consigam oferecer consultar rápidas via internet, facilitando assim o acesso de todos. Outrossim, o Governo, em parceria com plataformas midiáticas e o Ministério da Saúde devem promover campanhas por meio de panfletos, jornais, revistas e propagandas a fim de informar sobre os riscos do autodiagnostico e a automedicação. Assim, será possível construir uma sociedade com consciência de que o reconhecimento oferecido por um médico é o mais confiável.