Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 28/09/2020

É fato que o advento da internet revolucionou e facilitou o acesso a informações de diversas áreas, entretanto há controvérsias sobre esses benefícios em uma área em especial: a saúde. O precário sistema de saúde público brasileiro e a comodidade da população por um diagnóstico e tratamento, compactuam para criação de um cenário destrutivo: pessoas sem absolutamente nenhum conhecimento pesquisando sobre tratamentos na internet e se automedicando, baseando-se em simples sintomas, os quais diversas enfermidades apresentam e não sendo possível fazer a distinção sem o acompanhamento de um profissional da área. Esse fenômeno é conhecido como cibercondria.        Primordialmente, é sabido que a saúde pública do Brasil não caminha muito bem desde muito tempo. Uma pesquisa realizada pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS), referentes a 2019, indica que o tempo médio para ser atendido na rede pública é de 493 dias. Diante disso, as pessoas preferem entrar em risco (muitas das vezes sem saber) e encontrarem na internet um tratamento por conta própria.

Além disso, por estarem rodeada de informações instantâneas de fácil e rápido acesso em todas as áreas, as pessoas tendem a se acomodar ao ponto de não procurarem um médico para um diagnóstico correto de uma doença e simplesmente utilizar sites e receitas online com informações extremamente duvidosas, e mais importante: que não foram feitas para o indivíduo em si, mas para um todo e generalizando as informações, gerando assim um caos, afinal é possível alguém com uma simples gripe acreditar que está com uma doença terminal por seus sintomas estarem de acordo com o que está escrito no " diagnóstico " da internet.

Portanto, é mister que o Estado tome providências juntamente ao Ministério da Saúde para que o serviço de saúde pública seja executado com maestria e para isso é necessária a contratação de novos profissionais da área, juntamente com uma supervisão maior acerca do agendamento e execução de consultas, verificando assim se está ocorrendo tudo normalmente sem nenhum desvio que prejudique o tempo de espera na fila para o atendimento do paciente. Aliando-se a isso o auxílio da mídia para que seja divulgado os riscos do autodiagnostico e automedicação (como diagnósticos incorretos de doenças e problemas acarretados pela utilização de medicamentos desnecessários e/ou sem acompanhamento). Somente assim, será possível combater esse mal que destrói a vida de várias pessoas e finalmente abrir seus olhos para que vejam a necessidade em procurar o auxílio de alguém realmente capacitado e que está ali para ajuda-las.