Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 23/10/2020

Na II Grande Guerra, várias etapas sofreram alterações de estratégias graças às interceptações na comunicação entre os países. Essa troca de mensagem era transmitida por integrantes capacitados em Código Morse, traduzida, conferida e, só então, considerada válida. Atualmente, com a globalização, qualquer informação, dada a ânsia e a autossuficiência das pessoas, é assimilada e aceita como verdade. Na Era da ‘Cibercondria’, impera identificar as nuances do tempo, a negligência humana, conscientizar e democratizar o acesso a profissionais. Embora o século XXI tenha trazido a facilidade nas comunicações entre seres humanos, ideias e países, a mudança ocorreu num espectro acelerado e gerou, por conseguinte, a síndrome da pesquisa na internet. Ou seja, os mecanismos atuais, segundo Adorno e Horkheimer, foram capazes de influenciar comportamentos. Nesse caso, como a sociedade não teve espaço para se preparar, tornou-se vulnerável e passiva. Assim, o mundo digital converteu-se num centro modelador de opiniões, gostos, verdades e, conforme Henri Lefebvre, numa rede de manifestação de conflitos. Prova disso é a banalização de métodos caseiros de estética, crescimento nos casos de intoxicação alimentar, acidentes físicos causados por atividades irregulares: todos encontrados na internet ao acaso. É notável que essa acessibilidade tem relação dúbia: ora positiva, ora negativa. Por isso, a desinformação, nesse caso, é a ponte que separa. Consoante Ludwig Mises, o homem, quando em liberdade, tende a buscar a maximização da felicidade. Diante disso, enquanto algumas pessoas utilizam a tecnologia para pesquisas diversas que contribuem na formação educacional, outras a operam para automedicação, regimes ou procedimentos estéticos caseiros. Dentro dessa dualidade, o ônus da escolha errada. De acordo com a ANVISA, 92% dos erros com esse tipo de procedimento são ocasionados em casa, sem acompanhamento médico. Isso significa que a ‘cibercondria’ não é apenas um erro, mas um que pode levar à morte. Em contrapartida – apesar de não justificar –, as consultas médicas continuam caras. Dependendo da doença, ela pode até ter mais encargo do que o próprio remédio. Logo, a busca por um profissional para quaisquer assuntos é regra, não exceção, mas precisa ser democratizada. Nota-se, portanto, a necessidade de preparar a sociedade e democratizar seus direitos. Para tal, o Ministério da Saúde precisa, junto à ANVISA, ampliar o acesso ao serviço de saúde no sistema público e, por meio da ampliação de isenções, também no particular. Igualmente, as escolas devem, através de profissionais de tecnologia, psicologia e medicina, criar palestras, seminários e debates que discutam a ‘cibercondria’ e suas consequências. Por fim, as secretarias municipais de saúde necessitam elaborar e intensificar campanhas de conscientização nas mídias sociais para alertar a sociedade sobre os riscos. Naturalmente, o código presente na realidade da população atual será o da busca por uma saúde responsável.