Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 26/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita em que o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos e problemas. Fora da ficção, infelizmente, a realidade se difere, uma vez que configura-se na coletividade contemporânea a doença da era digital, a cibercondria, o que denota o oposto retratado por More. Nesse sentido, emerge um grave problema em virtude do imediatismo e do silenciamento.
A priori, tal conjuntura se deve ao pensamento imediatista na questão. Conforme Zygumunt Bauman, a sociedade contemporânea é fortemente influenciada pelo imediatismo. Nessa óptica, a velocidade acelerada que caracteriza as atitudes da maioria das pessoas em pesquisarem na internet sobre sintomas que estão sentindo, doenças e com isso se frustrarem, em vez de esperarem um diagnostico medico, resultam muitas vezes em se medicarem sem uma prescrição medica o que pode gerar consequências maliciosas. Segundo o ICTC, mais de 50% dos brasileiros praticam a automedicação, numero que sinaliza a banalidade do problema.
Outrossim, a falta de debate também se configura como um sério desafio para a resolução do imbróglio. Consoante ao pensamento de Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, somos responsáveis pelo outro. Ou seja, baseado no contexto social em que vivemos as relações coletivas são interdependentes e, com isso, tudo o que fazemos ou deixamos de fazer tem impacto na vida de outrem. Assim, se não há debate sobre o tema e a sociedade se silencia perante a problemática, ela é responsável socialmente pela perpetuação da cibercondria no corpo social.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Logo, o Governo em parceria com as mídias televisivas de promover debates nos cais de telecomunicação, por meio de palestras com especialistas na área, a fim de inibir a problemática. Além disso, é preciso que uma “#COMBATEÀCIBERCONDRIA” seja criada para que a temática ganhe maior alcance. Desse modo, possivelmente, a coletividade atual se aproximará da sociedade idealizada por Thomas More.