Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 16/11/2020

A Constituição Federal de 1988— fruto da luta dos trabalhadores contra um regime ditatorial; e, por isso mesmo, conhecida como Constituição Cidadã— assegura o direito de divulgar e receber informações a livre arbítrio, também, o direito a saúde para todos. Entretanto, percebe-se que a legislação não vem sendo cumprida, pois, com a Cibercondria, notou-se a falta de segurança para a população ao captar informações no meio digital, assim como, o precário sistema de saúde pública no Brasil não corresponde ao direito dos cidadãos. Sendo assim, é necessário que o povo brasileiro reivindique seus direitos, de forma a efetivá-los. Diante disso, dois fatores tornam-se relevantes para se compreender a problemática: primeiramente, uma reeducação para o uso de informações na internet; e, da mesma forma, a necessidade de melhoria nos postos e hospitais públicos.

Primordialmente, segundo o filósofo Rousseau, a falsidade pode ter uma infinidade de combinações; mas a verdade só tem uma maneira de ser. Assim, analisa-se que com o avanço da internet no século XXI, as informações percorrem rumos diversos, tornando-se adulteradas. Ademais, mesmo com os benefícios de se informar livremente sobre todos os assuntos, é imprescindível que pesquisas no Google, por exemplo, manipulem os pensamentos do indivíduo, trazendo à tona a automedicação, o diagnóstico errado e a irresponsabilidade de não ir ao médico. Portanto, é indubitável a necessidade de alertar o povo sobre o perigo da Cibercondria.

Outrossim, nota-se a precariedade da saúde no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Agência Brasil, em 2018, quase 90% dos brasileiros consideram a saúde, pública ou privada, péssima, ruim ou regular. Em suma, é nítido o desagrado da população, com isso, os centros de atendimentos são desvalorizados e os cidadãos optam por pesquisas na internet e autodiagnóstico.

Fica nítido, portanto, a necessidade de medidas precisas e detalhadas para se solucionar o empasse. Inicialmente, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, promover cursos online gratuitos sobre Cibercondria, igualmente, criar campanhas contra a automedicação e a importância de consultar especialistas, ambas ações, patrocinadas por empresas com o intuito de diminuir a doença da era digital. Associado a isso, é notório também a necessidade do Ministério da Saúde do Brasil, realizar melhorias em seus hospitais e postos públicos, através de reajustes de verbas e aumento de profissionais na área, para que dessa forma, em um futuro próximo, a Constituição de 1988 seja realmente “efetivada”.