Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 05/11/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o contrário do que o autor prega, uma vez que a cibercondria apresenta barreiras, que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do uso equivocado de medicamentos, quanto da simplicidade na compra de remédios.
Primeiramente, é imprescindível destacar que a facilidade de possuir informações leva as pessoas deixarem de buscar orientação para se medicar. Nesse sentido, segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss, “a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais”. A partir desse pressuposto, é notório que o advento da internet, ocorrido no final do século XX, facilitou a troca e obtenção de informações, fato esse que propiciou a sociedade negligenciar o acompanhamento de um profissional para cuidar da própria saúde. Por conseguinte, o hábito de automedicação fez com que os indivíduos utilizassem medicamentos de forma equivocada.
Outrossim, cabe salientar a simplicidade para as pessoas adquirirem remédios. Nesse sentido, é notório que a falta de um processo mais criterioso para compra de produtos farmacêuticos, juntamente com o escasso conhecimento dos indivíduos sobre os riscos de se automedicar, como o agravamento de doenças, facilita ocorrer a cibercondria. Dessa forma, segundo o Instituto de Pós-Graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico, quatro a cada cinco pessoas tomam medicamentos por contra própria. Por consequência, tal cenário faz com que a compra de fármacos sem orientação torne-se um hábito na sociedade.
Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Ministério da Educação implementar na grade comum curricular uma matéria integrada entre as disciplinas de Biologia e Sociologia, em que aborde com os alunos as consequências da automedicação, através de situações problemas e aulas práticas, a fim de desenvolver estudantes que busquem auxílio médico para a utilização de fármacos. Ademais, cabe ao Estado, por meio de políticas públicas, promover palestras com profissionais da área da saúde, como farmacêuticos e médicos, nas quais retrate, de maneira explícita, as consequências de utilizar medicamentos por conta própria, tendo como objetivo reduzir a difusão desse hábito na população. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade que buscar se aproximar da ideia defendida no livro de More.